O governo federal passou a considerar como mais provável a aplicação de uma tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros pelos Estados Unidos. Embora avalie que os sinais emitidos pela Casa Branca apontem para uma retaliação comercial, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva determinou que as negociações sejam mantidas até o anúncio oficial, previsto para a próxima quarta-feira (15).
A avaliação foi consolidada após uma reunião realizada na última sexta-feira (10), no Palácio do Planalto, com a participação do presidente Lula e dos ministros das Relações Exteriores, Mauro Vieira, e do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa. O encontro discutiu os desdobramentos das tratativas entre Brasília e Washington diante da proximidade do prazo estabelecido pelo governo norte-americano.
Integrantes do governo afirmam que o Planalto considera a possível elevação das tarifas uma medida sem justificativa econômica e mantém a posição de não negociar pontos considerados estratégicos para o país, como eventuais mudanças envolvendo o sistema de pagamentos Pix.
Apesar da avaliação pessimista, o governo tenta viabilizar uma última reunião com o representante comercial dos Estados Unidos, Jamieson Greer, antes da decisão final. O encontro ainda não foi confirmado. Desde maio, representantes brasileiros já se reuniram quatro vezes com Greer para discutir o tema.
A expectativa de uma sanção ganhou força após declarações do próprio representante do Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR). Segundo Greer, as conversas seguem distantes de um consenso e a decisão sobre o Brasil será anunciada dentro do prazo legal estabelecido pelo governo norte-americano.
Caso a tarifa seja confirmada, o Planalto pretende avaliar a lista de produtos atingidos antes de definir uma resposta. Entre as alternativas em análise está a aplicação da Lei de Reciprocidade Econômica, além da continuidade das negociações diplomáticas para tentar reduzir os impactos sobre as exportações brasileiras.
Especialistas avaliam que o impasse reflete um cenário mais amplo de desgaste nas relações entre Brasil e Estados Unidos. Entre os fatores apontados estão divergências em temas ligados ao comércio internacional, segurança jurídica, propriedade intelectual e política externa, o que tem dificultado avanços nas negociações e ampliado a incerteza para setores da economia dependentes do mercado norte-americano.