O processo para avaliar possíveis medidas de reciprocidade do Brasil contra os Estados Unidos dificilmente será concluído ainda em 2026, segundo o ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa. A avaliação ocorre após a adoção de novas tarifas norte-americanas sobre produtos brasileiros.
O ministro afirmou nesta quarta-feira (19) que o governo espera negociar uma solução com Washington ou, ao menos, reduzir as tensões comerciais até o fim do ano.
O procedimento foi aberto na quinta-feira (13), com base na Lei da Reciprocidade Econômica. A medida, porém, não significa que o Brasil já tenha decidido aplicar contramedidas. O processo ocorre paralelamente às negociações diplomáticas conduzidas pelo Itamaraty.
Governo vai reunir informações sobre tarifas
A primeira etapa consiste em levantar dados sobre as medidas adotadas pelos Estados Unidos, os setores brasileiros afetados e os impactos para a economia.
Os ministérios envolvidos terão até 60 dias para reunir as informações. O material será consolidado em um relatório que posteriormente será analisado pelo Comitê-Executivo de Gestão da Câmara de Comércio Exterior (Gecex).
Entre as áreas que podem contribuir com o levantamento estão Agricultura, Pesca e Minas e Energia.
Segundo dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), 47,3% das exportações brasileiras destinadas aos EUA estão submetidas a alguma das medidas tarifárias em vigor.
Exportações para os EUA recuam
As vendas brasileiras para o mercado norte-americano também perderam participação. Em julho, as exportações para os Estados Unidos somaram US$ 3,64 bilhões, queda de 5% em relação ao mesmo mês de 2025.
No mesmo período, as importações de produtos norte-americanos cresceram 0,6%, chegando a US$ 4,28 bilhões. Com isso, o Brasil registrou déficit de US$ 640 milhões no comércio bilateral.
Entre janeiro e julho, as exportações brasileiras para os EUA recuaram 12,2%.
Ao mesmo tempo, o governo afirma ter registrado aumento das vendas para outros mercados. Segundo Elias Rosa, as exportações brasileiras cresceram para pelo menos 50 países no período, com destaque para destinos como Egito, Índia, Peru, Vietnã e China.
Ministro descarta vincular negociação às eleições
Questionado sobre o calendário eleitoral brasileiro, Elias Rosa afirmou que as negociações comerciais com os Estados Unidos não devem ser condicionadas às eleições.
O ministro da Fazenda, Dario Durigan, entretanto, declarou no mesmo evento que já identifica interferência norte-americana no processo eleitoral e afirmou esperar uma redução das tensões após as eleições.
Governo defende integração do Mercosul
Elias Rosa também defendeu o fortalecimento do Mercosul como estratégia para ampliar o comércio entre os países do bloco e reduzir a dependência de mercados individuais.
Segundo o ministro, Brasil, Argentina, Paraguai, Uruguai e Bolívia devem ampliar a integração comercial diante de um cenário internacional marcado pela formação de grandes blocos econômicos.