Amapá se prepara para avanço do petróleo na Margem Equatorial
Estado reforça infraestrutura, qualificação e incentivos para atrair empresas do setor
O Amapá começou a reforçar sua estrutura para atender à possível expansão da indústria de petróleo e gás na Margem Equatorial. Com a atividade exploratória da Petrobras na Bacia da Foz do Amazonas, o governo estadual aposta em infraestrutura, qualificação profissional e incentivos fiscais para atrair empresas e ampliar a participação do estado na cadeia de óleo e gás.
Segundo o secretário de Desenvolvimento Econômico do Amapá, Wandenberg Pitaluga Filho, o planejamento começou há cerca de três anos e meio, antes do avanço recente das atividades exploratórias na região. A estratégia envolve medidas tributárias e ambientais, formação de mão de obra e articulação com a Petrobras.
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Uma das iniciativas foi a adesão do estado ao Repetro, regime tributário destinado ao setor de petróleo e gás. Em 2025, o governo anunciou a concessão do benefício à Petrobras, com o objetivo de tornar o Amapá mais competitivo na atração de empresas fornecedoras de produtos e serviços.
Infraestrutura é desafio
A expansão da atividade também deve aumentar a demanda por estradas, transporte de cargas e áreas de apoio. Entre os principais gargalos está a BR-156, rodovia que atravessa praticamente todo o estado, de Laranjal do Jari, no sul, a Oiapoque, no extremo norte.
Um dos trechos apontados como prioritários fica entre Macapá e Oiapoque. O Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) mantém obras de pavimentação e manutenção na rodovia, incluindo um trecho de 56 quilômetros com investimentos superiores a R$ 278 milhões pelo Novo PAC.
Para o secretário, a chegada da indústria de petróleo exigirá estruturas capazes de suportar um fluxo maior de cargas e operações logísticas.
Porto de Santana entra no radar
A localização do Amapá também é considerada uma vantagem. O estado faz fronteira com a Guiana Francesa e está próximo de Suriname e Guiana, países que avançam na exploração de petróleo.
Nesse cenário, o Porto de Santana é apontado pelo governo como uma das principais estruturas para apoiar a cadeia de óleo e gás. A expectativa é atrair empresas de logística e fornecedores que possam utilizar o terminal como base de operações.
O governo também trabalha para ampliar a cadeia de fornecedores dentro do próprio estado. A possível chegada de trabalhadores e empresas ligadas à exploração pode aumentar a demanda por hotéis, restaurantes, transporte, comércio e outros serviços.
Comércio já sente movimento
De acordo com o governo estadual, empresas dos setores atacadista, varejista e de serviços começaram a procurar o Amapá para conhecer a estrutura tributária e avaliar oportunidades de investimento.
O estado aposta ainda na condição de área de livre comércio de Macapá e Santana como fator de atração de novos negócios.
O comércio amapaense apresentou sinais de expansão. Em outubro de 2025, as vendas do varejo cresceram 10,1% ante o mesmo mês do ano anterior, segundo o IBGE. Em janeiro de 2026, o Amapá foi o único estado a registrar alta na comparação anual, de 2,9%, enquanto o varejo brasileiro recuou 5,9%.
A expectativa do governo é que o petróleo funcione como um catalisador para investimentos e que os efeitos econômicos ultrapassem a atividade de exploração, estimulando uma rede de empresas e serviços em torno da nova fronteira energética.
Fonte: CNN Brasil