O ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), afirmou que existem “imensas dificuldades” para que propostas de impeachment de integrantes da Corte, defendidas por candidatos ao Senado, sejam efetivamente colocadas em prática. Para o decano do STF, a pauta ganhou espaço no discurso eleitoral por apresentar apelo junto a parte do eleitorado, mas existe uma grande distância entre a promessa feita durante a campanha e sua concretização no ambiente político e institucional.
Segundo Gilmar, mesmo que candidatos que defendem o afastamento de ministros consigam conquistar uma vaga no Senado, a implementação da medida dependeria de uma dinâmica institucional diferente daquela apresentada nos discursos de campanha. O ministro avaliou que o funcionamento das instituições e a atuação do Senado podem conduzir o tema para outro caminho. Para ele, a bandeira eleitoral não necessariamente se transforma em uma ação concreta após a eleição.
O impeachment de ministros do STF passou a integrar o discurso de diferentes candidaturas de direita que disputarão vagas no Senado nas eleições de 2026. Entre os nomes citados estão Gustavo Gayer e Oseías Varão, em Goiás; Bia Kicis, no Distrito Federal; José Medeiros, em Mato Grosso; e Capitão Contar, no Mato Grosso do Sul. O tema também aparece associado a críticas ao Supremo e a propostas de mudanças no funcionamento do Judiciário.
Gilmar Mendes também comentou as eleições de 2026 e uma possível interferência dos Estados Unidos. O ministro afirmou não estar preocupado com a hipótese e destacou a solidez da democracia brasileira. Na avaliação dele, cabe à Justiça Eleitoral preservar a confiança da população no sistema eletrônico de votação e responder a eventuais questionamentos sobre a segurança das urnas.