A disputa presidencial ganhou novo espaço neste sábado (29), com a estreia do horário eleitoral gratuito no rádio. Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) concentraram suas primeiras inserções em críticas mútuas, enquanto Ronaldo Caiado (PSD) priorizou segurança pública e ataques ao PT. Augusto Cury (Avante), com apenas 35 segundos, apresentou-se como alternativa à polarização.
O bloco destinado aos candidatos à Presidência tem 12 minutos e 30 segundos. Lula ficou com o maior espaço, de 5 minutos e 32 segundos, seguido por Flávio, com 4 minutos e 20 segundos. Caiado teve 2 minutos e 2 segundos, enquanto Cury contou com 35 segundos.
Lula destaca governo e mira Flávio
A campanha de Lula simulou um programa de rádio com dois mediadores apresentando resultados atribuídos ao governo nos últimos quatro anos. Entre os temas citados estavam o Pé-de-Meia, a saída do Brasil do Mapa da Fome e a redução da taxa de desemprego.
O presidente também defendeu o fim da escala 6x1, proposta que ainda aguarda análise da Comissão de Constituição e Justiça do Senado.
"O Brasil vai tocar em frente e o trabalhador vai ter a redução da jornada", afirmou Lula, ao relacionar a medida a mais tempo para saúde, lazer e convivência familiar.
Parte do programa foi dedicada a Flávio Bolsonaro. A campanha petista mencionou uma suposta solicitação de R$ 61 milhões feita pelo senador ao empresário Daniel Vorcaro e reproduziu um áudio atribuído ao candidato, divulgado anteriormente pelo Intercept Brasil.
A peça encerrou o trecho com questionamentos sobre a possibilidade de confiar no adversário.
Flávio prioriza segurança e inflação
Com o segundo maior tempo de rádio, Flávio Bolsonaro apresentou um programa chamado "Rádio 22", também estruturado como uma conversa entre apresentadores e o candidato.
O senador direcionou o discurso para segurança pública, inflação e custo de vida, além de buscar aproximação com o eleitorado feminino.
Ao criticar a atual gestão, Flávio afirmou que o país estaria sob influência de facções criminosas e associou a situação à dificuldade financeira de famílias e empresas.
O candidato também mencionou a própria família. Disse que o pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, é conhecido pelo eleitorado, mas destacou a influência da mãe, da mulher e das filhas em sua formação.
Caiado aposta em segurança
Ronaldo Caiado utilizou os 2 minutos e 2 segundos disponíveis para apresentar a segurança pública como uma das principais prioridades de sua candidatura.
O candidato do PSD também fez críticas ao PT e destacou sua atuação política em Goiás. Na propaganda, afirmou ter sido um dos primeiros a enfrentar a esquerda e associou o avanço da criminalidade à falta de ação dos governos.
Caiado declarou ainda que não mantém relação com criminosos e traficantes e afirmou que o crime ganhou espaço por causa da "omissão, conivência e incompetência" de governos anteriores.
Cury tenta se apresentar como alternativa
Augusto Cury teve o menor espaço entre os candidatos que veicularam propaganda neste sábado. Em 35 segundos, o candidato do Avante concentrou sua mensagem na polarização política.
A peça utilizou trechos de notícias sobre presidentes anteriores para apresentar o ambiente político como marcado por confrontos. Em seguida, Cury questionou se os eleitores desejam mais quatro anos do mesmo cenário.
O candidato defendeu que os brasileiros reduzam os conflitos políticos, ampliem o diálogo e busquem uma saída para o que chamou de necessidade de "curar" o país.
Como funciona o horário eleitoral
A propaganda eleitoral gratuita para candidatos à Presidência e à Câmara dos Deputados começou neste sábado. As inserções serão veiculadas às terças, quintas e sábados.
No rádio, o bloco presidencial vai ao ar às 7h e ao meio-dia. Na televisão, as exibições ocorrem às 13h e às 20h30. Cada bloco destinado à disputa presidencial tem duração de 12 minutos e 30 segundos.
Às segundas, quartas e sextas-feiras, é a vez das propagandas para governador, senador e deputado estadual ou distrital.
A propaganda eleitoral gratuita é regulamentada pela legislação eleitoral e por resoluções do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que estabelecem as regras para a apresentação das candidaturas e propostas ao eleitorado.