Michelle Bolsonaro amplia espaço na direita e se prepara para assumir mandato

Derrota de Flávio e disputas internas do bolsonarismo abrem caminho para atuação política própria da ex-primeira-dama

A reorganização da direita brasileira após a derrota de Flávio Bolsonaro na disputa presidencial e o afastamento de integrantes da família do cenário político nacional ampliam o espaço de Michelle Bolsonaro nas articulações do grupo conservador. Eleita senadora pelo Partido Liberal (PL) do Distrito Federal, a ex-primeira-dama passa a ser apontada como uma das principais lideranças do bolsonarismo, em um momento de disputa pela influência política deixada pelo ex-presidente Jair Bolsonaro. O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), também aparece entre os nomes que podem assumir maior protagonismo no campo da direita.

Foto: Minervino Júnior/CB
Michelle Bolsonaro

Segundo interlocutores ouvidos pelo Correio Braziliense, Michelle construiu uma trajetória política que não depende exclusivamente do vínculo familiar com Jair Bolsonaro. À frente do PL Mulher, ela ampliou sua presença em diferentes estados e fortaleceu relações com lideranças conservadoras, especialmente entre mulheres e grupos evangélicos. Durante a campanha presidencial, apesar de declarar apoio à candidatura do enteado, a ex-primeira-dama manteve compromissos próprios e priorizou alianças políticas, como a relação com a governadora do Distrito Federal, Celina Leão (PP). O posicionamento ocorre após divergências públicas entre Michelle e Flávio sobre alianças e participação nas decisões partidárias.

A ex-primeira-dama também se manifestou nas redes sociais em defesa de aliados que, segundo ela, vinham sendo alvo de críticas durante a disputa sobre os responsáveis pelo resultado eleitoral. Entre os nomes citados estavam Tarcísio de Freitas, o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG), a senadora Damares Alves (Republicanos-DF) e o pastor Silas Malafaia. Michelle afirmou que Jair Bolsonaro considera necessário preservar a união do grupo e evitar a procura por culpados. Para o cientista político Rudá Ricci, presidente do Instituto Cultiva, a ausência de Jair, Flávio e Eduardo Bolsonaro das articulações políticas no Brasil favorece o crescimento de novas lideranças, entre elas Michelle e Tarcísio, que possuem bases de apoio e trajetórias distintas.

A posse de Michelle no Senado, prevista para fevereiro de 2027, será um passo importante para transformar sua influência eleitoral em atuação institucional. Com mandato de oito anos, ela terá a oportunidade de construir uma agenda própria no Congresso, participar das decisões do PL e ampliar o diálogo com outros setores da direita. O desafio será administrar as disputas internas do partido e a relação com os filhos de Jair Bolsonaro, além de disputar espaço com outras lideranças conservadoras. A capacidade de Michelle de consolidar uma identidade política independente e manter sua base de apoio será determinante para o papel que poderá exercer no próximo ciclo político brasileiro.

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