UFPI testa armadilha de baixo custo para monitorar transmissor do calazar

Pesquisa em duas áreas de Teresina capturou 1.351 insetos e comparou três modelos de equipamento

Por Redação do Portal AZ,

Uma pesquisa da Universidade Federal do Piauí (UFPI) testou uma armadilha de baixo custo para capturar insetos que incluem espécies transmissoras do calazar, como é conhecida a leishmaniose visceral. O estudo foi realizado nas localidades Cacimba Velha e Terra Nossa, em Teresina, e identificou o predomínio da espécie Lutzomyia longipalpis, principal transmissora da doença no Brasil.

Foto: UFPIUniversidade Federal do Piauí (UFPI) em Teresina
Universidade Federal do Piauí (UFPI) em Teresina

Ao todo, foram capturados 1.351 flebotomíneos, popularmente conhecidos como mosquitos-palha. Desse total, 1.243 estavam na Cacimba Velha, área de ocupação mais antiga, e 108 na Terra Nossa, de ocupação mais recente.

Foto: ReproduçãoA pesquisa foi desenvolvida pela mestra Karynne Araújo Costa
Karynne Araújo Costa

A pesquisa foi desenvolvida pela mestra Karynne Araújo Costa, com orientação da professora Maria Regiane Araújo Soares, no Programa de Pós-Graduação em Biodiversidade e Conservação. Segundo a pesquisadora, os resultados indicam que as características ambientais e o histórico de ocupação influenciam a presença e a quantidade desses insetos.

As coletas ocorreram entre agosto e dezembro de 2025, dentro das casas e em seus arredores. Foram utilizadas armadilhas luminosas dos tipos CDC, HP e JD2R, instaladas por períodos de 12 horas. Além da identificação dos insetos, o trabalho registrou temperatura, umidade e velocidade do vento para avaliar as condições ambientais durante as capturas.

Construída com materiais simples, a JD2R foi comparada aos outros dois modelos, já utilizados em pesquisas. A proposta é oferecer uma alternativa mais acessível ao monitoramento dos vetores. A orientadora ressalta, porém, que o protótipo ainda precisa de melhorias.

A presença da espécie transmissora não significa, por si só, que os insetos capturados estejam infectados. O calazar é transmitido pela picada de fêmeas que carregam o parasito Leishmania. Segundo o Ministério da Saúde, a doença pode provocar febre prolongada, perda de peso, fraqueza, anemia e aumento do fígado e do baço. O tratamento é gratuito pelo SUS, e o diagnóstico precoce ajuda a evitar complicações.

Entre as medidas de prevenção recomendadas pelo ministério estão a limpeza periódica dos quintais, a retirada de folhas, frutos e fezes de animais e o descarte adequado do lixo orgânico. Esses cuidados reduzem a matéria orgânica em decomposição e as condições favoráveis ao desenvolvimento do inseto. Os abrigos de animais domésticos também devem ser mantidos limpos.

Fonte: Com informações da UFPI

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