Onda de protestos contra custo de vida se espalha pela Europa
Após reivindicações na França, Alemanha, Itália e Portugal também registaram manifestações neste fim de semana
Uma onda de protestos contra o aumento do custo de vida e a precariedade dos serviços públicos ganhou força em diferentes países da Europa neste fim de semana. Após manifestações de grande repercussão na França, Alemanha, Itália e Portugal também registraram atos com reivindicações relacionadas à educação, saúde, salários e acesso à moradia.
Na Alemanha, manifestações foram realizadas em 34 cidades, incluindo Berlim, Frankfurt e Munique. Organizados pelo movimento Gen Z Regelt, os atos reuniram principalmente jovens que cobram melhorias na educação e na saúde, além de se posicionarem contra a retomada do serviço militar obrigatório.
- Participe do nosso grupo de WhatsApp
- Participe do nosso grupo de Telegram
- Confira os jogos e classificação dos principais campeonatos
Segundo dados da polícia, aproximadamente 18 mil pessoas participaram das manifestações nas três principais cidades. Os protestos também foram motivados pelo aumento dos aluguéis, pelas desigualdades econômicas e pela falta de medidas de combate às mudanças climáticas. A maioria das mobilizações ocorreu pacificamente, mas houve registro de barricadas incendiadas em Hamburgo.
Na Itália, uma greve geral convocada por sindicatos levou trabalhadores e estudantes às ruas de mais de 40 cidades. As principais reivindicações foram aumentos salariais e críticas aos gastos militares. Em Roma, oito pessoas foram detidas após confrontos com a polícia, que utilizou canhões de água para dispersar manifestantes. Também houve bloqueios de vias em Milão e confrontos em Turim.
Em Gênova, cerca de 15 mil trabalhadores portuários e estudantes participaram de um ato contra o transporte de armas e as mortes de trabalhadores marítimos em áreas de conflito. Em Cagliari, outras 15 mil pessoas foram às ruas em uma manifestação sem registros de violência.
Protestos por moradia em Portugal
Em Portugal, manifestações foram convocadas em Lisboa, Porto e outras cidades para cobrar medidas contra a crise habitacional. Os participantes defendem mudanças na legislação sobre aluguéis e o fim de despejos sem garantia de uma alternativa de moradia.
Os atos também foram marcados por denúncias de violência policial. No fim de semana anterior, uma operação de segurança deixou 11 feridos e 31 pessoas detidas, segundo informações da polícia portuguesa. Organizadores das manifestações afirmaram que o número de feridos foi maior.
França reforça segurança
Na França, os protestos começaram em 17 de setembro, com mobilizações de estudantes que denunciam salas de aula superlotadas, falta de professores e cortes nos serviços públicos. As reivindicações foram ampliadas e passaram a incluir críticas ao custo de vida e às condições econômicas da população.
No sábado (31), o governo mobilizou 70 mil policiais e agentes de segurança para acompanhar as manifestações em todo o país, diante do risco de novos confrontos. No fim de semana anterior, cerca de 410 mil pessoas participaram dos atos, segundo o jornal The Guardian.
As manifestações anteriores foram marcadas por saques, incêndios e confrontos com as forças de segurança. Mais de 6,5 mil pessoas foram detidas desde o início da onda de protestos, e centenas ficaram feridas.
O governo francês reconheceu as reivindicações dos estudantes, mas condenou os episódios de violência. O primeiro-ministro Sébastien Lecornu prometeu melhorias nas escolas e criticou o partido França Insubmissa (LFI), ao qual atribuiu incentivo aos confrontos.
Uma nova greve nacional está prevista para 5 de novembro. A mobilização ocorre em meio à insatisfação com o custo de vida, a qualidade dos serviços públicos e as medidas de austeridade previstas no orçamento francês de 2027.
Fonte: Portal AZ