SUS pode implementar rastreamento de câncer colorretal para diagnóstico precoce

Ministério da Saúde prepara diretriz inédita para ampliar prevenção e salvar vidas

O Ministério da Saúde está finalizando uma diretriz inédita para implementar o rastreamento do câncer colorretal no Sistema Único de Saúde (SUS). A medida, que ainda está em fase de elaboração, busca ampliar o diagnóstico precoce da doença, que é a segunda mais comum entre homens e mulheres no Brasil, mas que atualmente não conta com políticas públicas de rastreamento sistemático no país .

Foto: Câmara Municipal de Afonso Claudio/Divulgação

A proposta inclui a utilização de exames como o teste de sangue oculto nas fezes (FIT), que permite identificar sinais precoces da doença, e a colonoscopia para casos positivos. Estudos indicam que o rastreamento pode reduzir a mortalidade em até 30%, sendo uma estratégia custo-efetiva para o sistema de saúde. No entanto, especialistas apontam desafios logísticos e estruturais para a implementação em larga escala, como a necessidade de capacitação de profissionais e ampliação da infraestrutura de atendimento .

Renata Maciel, chefe da Divisão de Detecção Precoce do Instituto Nacional de Câncer (Inca), destacou que o grupo de trabalho está avaliando fatores como a faixa etária mais beneficiada, periodicidade dos exames e custos envolvidos. A ideia é garantir que a diretriz seja tecnicamente viável e sustentável no SUS. Atualmente, políticas de rastreamento no sistema público se restringem ao câncer de mama e de colo do útero, deixando o câncer colorretal negligenciado, apesar de sua alta incidência e mortalidade .

A implementação do rastreamento no SUS representa um avanço significativo na prevenção e no tratamento do câncer colorretal, que muitas vezes é diagnosticado em estágios avançados. A medida também reforça o compromisso do governo em ampliar o acesso à saúde e reduzir desigualdades no atendimento oncológico. 

Leia também