Tarifaço derruba exportações do Brasil aos EUA ao menor nível em 3 anos

Vendas caíram 12,2% até julho, enquanto produtos mais taxados recuaram 31,5%

Por Redação Portal AZ,

As exportações brasileiras para os Estados Unidos recuaram 12,2% entre janeiro e julho deste ano, para US$ 21 bilhões, e atingiram o menor valor para o período em três anos. A queda ocorre em meio à aplicação de sobretaxas americanas e contrasta com o avanço de 10,5% das vendas brasileiras para o restante do mundo.

Foto: Joao Oliveira/Zoonar/picture allianceSem acordo com Brasil, EUA impuseram tarifas de 25% contra alguns produtos
Sem acordo com Brasil, EUA impuseram tarifas de 25% contra alguns produtos

O resultado representa uma redução de aproximadamente US$ 2,9 bilhões nas receitas obtidas pelo Brasil com as vendas ao mercado americano em relação aos primeiros sete meses de 2025. Os dados fazem parte do Monitor do Comércio Brasil-Estados Unidos, elaborado pela Câmara Americana de Comércio para o Brasil (Amcham) com base em informações do Comexstat.

O impacto foi mais intenso sobre os produtos submetidos às maiores tarifas, de 25% a 37,5%. As exportações desse grupo diminuíram 31,5% no período, passando de US$ 4,6 bilhões para US$ 3,2 bilhões.

A madeira de coníferas foi um dos produtos mais afetados, com queda de 59,4% nas vendas aos Estados Unidos. Também registraram retração o sebo bovino, ovino e caprino, com baixa de 42,5%; os granitos trabalhados, de 42,1%; o fumo não manufaturado, de 37,7%; e portas e caixilhos, de 35,3%.

Queda também aparece em julho

Em julho, as exportações brasileiras para os Estados Unidos somaram US$ 3,6 bilhões, 5% abaixo do registrado no mesmo mês de 2025.

O resultado interrompeu a recuperação observada em junho, quando as vendas cresceram pela primeira vez desde agosto do ano passado, período em que as tarifas mais elevadas começaram a ser aplicadas.

Entre os produtos sujeitos às maiores sobretaxas, a queda em julho chegou a 25,7%. Em sentido contrário, as vendas de itens enquadrados na Seção 232, que inclui produtos como aço e alumínio, cresceram 21,5%.

No acumulado do ano, também houve retração nas exportações de madeira compensada, torneiras, sucos de frutas e semimanufaturados de ferro e aço, além dos produtos mais atingidos pelas tarifas.

Brasil vende mais ao mundo, mas perde espaço nos EUA

O desempenho do comércio com os Estados Unidos destoa do resultado geral das exportações brasileiras. Enquanto as vendas ao mercado americano diminuíram 12,2% nos sete primeiros meses do ano, as exportações totais do país cresceram 10,5% no mesmo período.

Os Estados Unidos continuam sendo o segundo principal destino dos produtos brasileiros, atrás apenas da China.

A redução também aparece em produtos que tiveram desempenho positivo em outros mercados. As exportações de petróleo bruto para os EUA, por exemplo, caíram 25,5%, enquanto as vendas para o restante do mundo cresceram. O mesmo ocorreu com semimanufaturados de ferro e aço, ferro-gusa e celulose.

Para Abrão Neto, presidente da Amcham Brasil, os números indicam perda de dinamismo no comércio entre os dois países, especialmente nos produtos submetidos às tarifas mais altas.

Brasil acumula déficit de US$ 2,3 bilhões

Além da queda nas exportações, o Brasil ampliou o saldo negativo no comércio com os Estados Unidos. As importações de produtos americanos somaram US$ 23,2 bilhões entre janeiro e julho, uma redução de 10,4% em relação ao mesmo período de 2025.

Com isso, o país acumulou déficit comercial de US$ 2,3 bilhões nos primeiros sete meses do ano, alta de 122,3% na comparação anual.

Somente em julho, as importações brasileiras de produtos americanos cresceram 0,6%, para US$ 4,3 bilhões. O movimento encerrou uma sequência de sete meses de queda nas compras.

O resultado deixou o Brasil com déficit de US$ 639 milhões no comércio bilateral apenas em julho.

Fonte: Com informações do G1

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