A Agência Nacional de Vigilância Sanitária autorizou a ampliação do uso da tirzepatida, conhecida comercialmente como Mounjaro, para o tratamento de diabetes tipo 2 em crianças e adolescentes de 10 a 17 anos no Brasil. A medida estende ao público pediátrico uma terapia já utilizada em adultos e amplia as alternativas disponíveis para o controle da doença.
A liberação ocorre em um cenário de crescimento dos casos de obesidade entre jovens, fator diretamente associado ao desenvolvimento do diabetes tipo 2. Diferente do tipo 1, de origem autoimune, a forma tipo 2 está ligada, na maioria dos casos, ao excesso de peso, resistência à insulina e hábitos de vida.
Estimativas da Sociedade Brasileira de Diabetes apontam que cerca de 3,3% dos jovens brasileiros podem ter a doença, o que representa aproximadamente 200 mil crianças e adolescentes. Especialistas alertam que o quadro tende a se tornar mais frequente, acompanhando o avanço do excesso de peso nessa faixa etária.
Dados do Atlas Mundial da Obesidade 2026 indicam que cerca de 16,5 milhões de brasileiros entre 5 e 19 anos estão acima do peso. Entre os fatores associados estão sedentarismo, maior tempo de exposição a telas, alimentação baseada em produtos ultraprocessados e alterações no padrão de sono.
A tirzepatida atua combinando dois mecanismos hormonais ligados ao controle da glicose e do apetite. Esse efeito contribui para a regulação dos níveis de açúcar no sangue e pode auxiliar na redução do peso corporal, aspecto relevante no tratamento do diabetes tipo 2.
Apesar da nova indicação, médicos ressaltam que o medicamento não é a primeira opção terapêutica. O uso costuma ser indicado quando não há resposta adequada a tratamentos já consolidados, como metformina, insulina ou outros fármacos. A prescrição depende de avaliação clínica e critérios específicos.
Resultados de estudos clínicos apontam que a tirzepatida pode reduzir a glicemia e o índice de massa corporal em adolescentes com diabetes tipo 2. Ainda assim, especialistas destacam a importância do diagnóstico precoce, principalmente diante de sintomas como sede excessiva, aumento da fome, infecções recorrentes e mal-estar.
Profissionais da área também reforçam que o tratamento não se resume ao uso de medicamentos. Mudanças no estilo de vida, com alimentação equilibrada, prática regular de atividade física e acompanhamento multiprofissional, continuam sendo a base do controle da doença.
O uso da tirzepatida pode causar efeitos adversos, principalmente gastrointestinais, como náuseas, diarreia e constipação. Por isso, o acompanhamento médico é considerado essencial durante o tratamento.
A ampliação da indicação no Brasil segue movimento já adotado por agências reguladoras internacionais. Especialistas, no entanto, destacam que a autorização não garante acesso amplo ao medicamento na rede pública, o que ainda representa um desafio para parte da população.