O Brasil conta agora com um supercomputador capaz de gerar previsões meteorológicas com nível de detalhe inédito, possibilitando identificar em quais regiões de um bairro vai chover e em que momento. A máquina foi adquirida em 2024 por R$ 200 milhões e está em fase de testes no Centro de Previsão de Tempo e Estudos Climáticos (Cptec), em Cachoeira Paulista (SP).
O equipamento processa informações de satélites, aviões, navios, balões e estações meteorológicas, realizando trilhões de cálculos por segundo, algo impossível para computadores comuns. Com capacidade de armazenamento 24 vezes maior que o antigo sistema, o supercomputador permite gerar previsões em minutos, antes demoravam até três horas, e acompanhar mudanças atmosféricas quase em tempo real.
Até então, o Brasil operava com o supercomputador Tupã, em uso desde 2010, que já apresentava risco de apagão meteorológico por falta de atualização. O novo sistema ampliará a precisão dos alertas, permitindo que autoridades antecipem desastres naturais, como chuvas intensas, e que setores estratégicos, como agricultura, energia e saúde pública, tomem decisões mais eficientes.
Com a resolução aprimorada, as previsões passam a operar em quadrados de 3 km², chegando a 1 km² em regiões metropolitanas. “Vamos conseguir indicar o momento exato em que uma chuva chega e acompanhar sua evolução quase em tempo real”, afirma Gilvan Sampaio, especialista em meteorologia do Inpe.
O supercomputador funcionará 24 horas por dia, consumindo alta quantidade de energia e água, com custo anual de manutenção estimado em R$ 6 milhões. Para sustentar a operação, o governo planeja implantar um centro de energia solar a partir de 2026.
Além de melhorar alertas de desastres, o sistema aprimora previsões sazonais, auxiliando o planejamento agrícola, a gestão de reservatórios de energia e monitoramento de fumaça de queimadas. O equipamento também permitirá rodar modelos climáticos de longo prazo, essenciais para antecipar impactos das mudanças climáticas e orientar políticas de mitigação e adaptação.
Segundo Ivan Márcio Barbosa, coordenador de infraestrutura de dados do Inpe, o investimento representa um salto tecnológico para o país: “Hoje temos previsões inéditas na América do Sul. Esse avanço vai abrir portas para que o Brasil se desenvolva não só na previsão do tempo, mas em diversas áreas científicas e tecnológicas”.
A previsão é que o supercomputador comece a operar oficialmente na primeira semana de dezembro, marcando uma nova era para a meteorologia brasileira e oferecendo ferramentas mais precisas para proteger vidas e apoiar a economia.