Anatel alerta para risco de concentração de data centers em grandes cidades

Agência defende descentralização de estruturas para ampliar segurança digital.

O presidente da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), Carlos Baigorri, alertou nesta quinta-feira (16) que a concentração de centrais de processamento de dados — os chamados data centers — em grandes cidades como São Paulo, Rio de Janeiro e Fortaleza representa um risco para a segurança digital do país.

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Segundo Baigorri, a autarquia tem discutido com o Ministério das Comunicações formas de incentivar a descentralização dessas estruturas pelo território nacional. A preocupação, explicou, está na vulnerabilidade que o excesso de concentração pode causar em caso de incidentes.

“Quando se coloca todos os ovos na mesma cesta, qualquer problema tem repercussão em todo o país”, afirmou o presidente da Anatel, em entrevista à agência Reuters, após evento na Fundação Getulio Vargas (FGV).

Baigorri destacou que a concentração dos data centers em poucos locais está relacionada à infraestrutura de cabos submarinos que chegam ao Brasil, principalmente em Fortaleza. “Essas estruturas andam juntas, mas precisamos reduzir a dependência de poucas regiões para garantir a segurança e a soberania digital”, disse.

A desconcentração, segundo ele, também ajudaria a ampliar a conectividade em regiões menos desenvolvidas e reduzir riscos de falhas generalizadas.

Em setembro, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinou a Medida Provisória que criou o Redata (Regime Especial de Tributação para Serviços de Data Center), com o objetivo de estimular investimentos em tecnologia e incentivar a distribuição dos empreendimentos para regiões como Norte, Nordeste e Centro-Oeste. O governo destinou R$ 5,2 bilhões ao programa no Projeto de Lei Orçamentária de 2026.

Durante a entrevista, Baigorri também comentou a situação financeira da operadora Oi, em recuperação judicial há quase dez anos. Segundo ele, a Anatel acompanha o caso de perto para garantir a continuidade dos serviços prestados.

“Nossa preocupação é assegurar que os serviços essenciais, como telefonia fixa e atendimento corporativo, continuem funcionando”, afirmou. O presidente da agência disse ainda que uma eventual falência da companhia não representaria risco sistêmico ao setor.

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