Uma molécula identificada no processo digestivo das serpentes pítons tem demonstrado potencial para reduzir o apetite em mamíferos, segundo pesquisa publicada pela revista Nature. Este achado pode ser relevante no tratamento da obesidade em humanos.
O estudo utilizou camundongos para verificar os efeitos da molécula, observando que o tratamento prolongado resultou em perda de peso sem efeitos adversos. Os resultados sugerem que a molécula pode regular hormônios associados ao controle alimentar.
A pesquisa, divulgada recentemente, comparou os padrões de jejum de camundongos e pítons, analisando os níveis de açúcar no sangue. Enquanto os camundongos consomem pequenas refeições frequentemente, as pítons têm uma adaptação extrema ao jejum, podendo ficar até 18 meses sem comer.
A substância, identificada como pTOS (para-tiramina-O-sulfato), aumenta significativamente em pítons após as refeições, mostrando um acréscimo de 1.000 vezes. Além disso, foi observado um aumento de mais de 40 vezes no gasto energético desses répteis.
Nos mamíferos, o pTOS também está presente e atua inibindo o apetite, embora em menor grau. O estudo analisou homens saudáveis submetidos a diferentes dietas, constatando que a presença da substância aumentou até cinco vezes após as refeições.
Em outra parte da pesquisa, homens realizaram um jejum seguido de refeições líquidas e sólidas, resultando no dobro de pTOS na corrente sanguínea. Esta molécula ativa o hipotálamo ventromedial (VMH) no cérebro, responsável pela sensação de saciedade.
Os pesquisadores aplicaram pTOS oralmente em camundongos, observando uma redução de 9% no peso corporal sem afetar a ingestão de água, atividade física ou absorção de nutrientes. A insulina, que regula os níveis de glicose no sangue, não apresentou alterações significativas após a aplicação.
O estudo conclui que doses controladas de pTOS podem aumentar sua presença no corpo humano, contribuindo para o tratamento da obesidade e perda de peso de maneira saudável e sem efeitos colaterais prejudiciais.