Morre Luiz Carlos Barreto, produtor que marcou a história do cinema brasileiro

Referência do Cinema Novo, Barretão participou de mais de 100 filmes e levou o Brasil ao Oscar

Por Redação Portal AZ,

O produtor, diretor e fotógrafo Luiz Carlos Barreto morreu nesta quarta-feira (22), aos 98 anos, no Rio de Janeiro. Um dos principais nomes da história do cinema brasileiro, Barretão construiu uma carreira de mais de seis décadas, participou de mais de 100 produções e esteve por trás de obras que redefiniram a indústria audiovisual no país.

Foto: ReproduçãoLuiz Carlos Barreto dedicou mais de seis décadas ao fortalecimento do cinema brasileiro.
Luiz Carlos Barreto dedicou mais de seis décadas ao fortalecimento do cinema brasileiro.

Internado desde segunda-feira (20) no Hospital Copa Star, em Copacabana, Luiz Carlos Barreto tratava uma infecção pulmonar decorrente de pneumonia. A informação foi confirmada por familiares. O velório será realizado nesta quinta-feira (23), no Palácio da Cidade, em Botafogo, e a cremação ocorrerá no Memorial do Caju.

Conhecido como Barretão, o cineasta foi um dos protagonistas da consolidação do Cinema Novo e teve papel decisivo na profissionalização da produção cinematográfica brasileira. Ao longo da carreira, participou de mais de 100 obras, seja como produtor, diretor ou fotógrafo, contribuindo para transformar a forma de produzir, financiar e distribuir filmes no Brasil.

Sua trajetória começou no fotojornalismo. Natural de Sobral (CE), onde nasceu em 20 de maio de 1928, trabalhou como fotógrafo da revista O Cruzeiro e atuou como correspondente internacional, registrando personalidades como Frank Sinatra, Marilyn Monroe e Fidel Castro. A experiência consolidou seu olhar documental e abriu caminho para a atuação no cinema.

O ingresso definitivo na produção audiovisual ocorreu a partir do encontro com o cineasta Glauber Rocha durante as filmagens de Barravento. A parceria resultou em sua participação em Vidas Secas (1963), dirigido por Nelson Pereira dos Santos, e posteriormente em Terra em Transe (1967), dois dos títulos mais emblemáticos do Cinema Novo.

Foi, porém, na produção cinematográfica que Barretão se destacou nacional e internacionalmente. Sua capacidade de estruturar projetos e reunir equipes esteve por trás de clássicos como Garrincha, Alegria do Povo, Bye Bye Brasil e Memórias do Cárcere. Também assinou sucessos de público como Dona Flor e Seus Dois Maridos, que permaneceu por décadas como a maior bilheteria da história do cinema nacional.

Sob sua produção, o Brasil voltou a disputar o Oscar de Melhor Filme Internacional com O Quatrilho e O Que É Isso, Companheiro?, consolidando o reconhecimento internacional da cinematografia brasileira. Ao lado da esposa, a produtora Lucy Barreto, fundou a LC Barreto, responsável por mais de 150 produções ao longo de décadas.

Além da contribuição artística, Barreto defendia o fortalecimento da indústria audiovisual brasileira e costumava afirmar que o cinema era um instrumento de transformação social. A frase "o cinema é uma coisa útil, e não uma coisa fútil" tornou-se uma das marcas de sua trajetória.

Luiz Carlos Barreto deixa a esposa, Lucy Barreto, os filhos Bruno e Paula, nove netos e oito bisnetos. O cineasta Fábio Barreto, também filho do casal, morreu em 2019, após permanecer dez anos em coma em decorrência de um acidente de carro.

Com uma carreira que atravessou diferentes gerações do cinema nacional, Barretão deixa um legado de obras que ajudaram a projetar a produção brasileira no cenário internacional e influenciaram a formação de novos cineastas.

Fonte: Com informações do G1

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