Golpe tinha todo o planejamento de organização criminosa

Bolsonaro foi "dragado" para o golpe, diz advogado

Por Miguel Dias Pinheiro, advogado,

Nos últimos dois dias em que ocorreram as defesas orais dos advogados defensores dos golpistas na Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF), na minha opinião duas defesas chamaram atenção. A de Bolsonaro e do general e ex-ministro da Defesa, Paulo Sérgio Nogueira.

O advogado de Bolsonaro disse com todas as letras que o ex-presidente foi "dragado" para o planejamento e para os atos golpistas. O advogado do general, também com todas letras e até surpreendeu, confessou, em nome do cliente, que ele, general, tentou "demover" Bolsonaro do Golpe de Estado. A confissão, por ser forte demais, coloca Bolsonaro de corpo e alma dentro da cena do crime, inapelavelmente!

Quanto ao advogado de Bolsonaro, que usou a palavra "dragado" para tentar amenizar participação nas cenas dos crimes contra o Estado de Direito, significa que o ex-presidente entrou por influência e/ou convencido de que o plano golpista poderia resultar positivo.

Em verdade, a terminologia mais adequada para identificar a participação de Jair Bolsonaro seria "tragado", o particípio passado regular do verbo "tragar", que significa que o ex-presidente foi engolido, absorvido, pela ideia e o plano golpista.

Seja "dragado" ou "tragado", o termo não pegou muito bem para a defesa de Bolsonaro, porque a expressão leva à seguinte conjectura: ele participou, sim, da intentona golpista.

Após perder a eleição, teria sido o ex-presidente "tragado" para tentar explodir com dinamites o aeroporto de Brasília? Claro que não! E, relembre-se, ele era presidente da República.

Bolsonaro, ainda como presidente e também após perder a eleição, teria sido "tragado" para incendiar ônibus em Brasilia e o edifício sede da Polícia Federal. Claro que não!

No dia 08 de janeiro de 2023, já fora do cargo de presidente do Brasil, o hoje réu-preso Bolsonaro teria sido "tragado" para assistir dos Estados Unidos a quebradeira violenta dos edifícios do Palácio do Planalto, do Supremo Tribunal Federal e do Congresso Nacional. Claro que não!

Em verdade, segundo o processo-crime a que responde no STF, Bolsonaro planejou, organizou e incitou a tentativa de Golpe de Estado e de Abolição do Estado Democrático de Direito na condição de líder de uma Organização Criminosa com ações definidas para cada subalterno, aliado e, por fim, com participantes do povo bolsonarista, tresloucadamente!

Bolsonaro liderou a tentativa de Golpe de Estado e sabia de plano para matar Lula, Alckmin e Alexandre de Moraes. Segundo a instrução criminal que se encerrou com as defesas dos denunciados, o golpe planejado por Bolsonaro só não se concretizou por "circunstâncias alheias à vontade, ex-presidente.

As investigações apontaram que os golpistas denunciados e agora às portas de uma condenação, tinham um planejamento bem delineado:

a) Núcleo de Desinformação e Ataques ao Sistema Eleitoral;

b) Núcleo Responsável por Incitar Militares à aderirem ao Golpe de Estado;

c) Núcleo Jurídico;

d) Núcleo Operacional de Apoio às Ações Golpistas;

e) Núcleo de Inteligência Paralela;

f) Núcleo de Oficiais de Alta Patente e Apoio (nomeado anteriormente como Núcleo para Cumprimento de Medidas Coercitivas).

As ações criminosas previamente ordenadas e posteriormente coordenadas tinham por objetivo tentar derrubar um governo democraticamente eleito e constituído. A abolição violenta do Estado Democrático envolvia, como consequência do golpe, impedir o livre exercício dos poderes Executivo, Judiciário, Legislativo que compõem o Estado brasileiro.

Fonte: Por Miguel Dias Pinheiro

Comente

Pequisar