Ex-Palmeiras já foi confundido com terrorista e detido na Alemanha por cabelo e barba
O fato aconteceu em 2010
Neste sábado, o tradicional Santo André faz seu "jogo da vida" em 2019. Às 15h, o "Ramalhão", que é 8º colocado da Série A2 do Paulista (e, portanto, o último classificado no momento para a próxima fase), encara a também histórica Portuguesa, que está em 9º lugar, com apenas um ponto a menos, em um confronto direto para ver quem avançar no torneio e quem será eliminado no primeiro estágio.
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Cristian durante treino do Palmeiras, em agosto de 2005, na Academia de Futebol (Foto: ESPN)
Para garantir um bom resultado contra a Lusa, o clube do ABC paulista conta com a experiência do meia Cristian Martins Cabral, popularmente conhecido como Cristian "Mendigo".
Com passagem pelo Palmeiras entre 2005 e 2006, o atleta segue na ativa aos 39 anos, e com a vivência de quem já viveu de tudo um pouco no mundo da bola - e também fora dele.
Em 2010, por exemplo, ele teve uma aventura no exterior quando foi defender o Khazar, do Azerbaijão. Cristian conta que vivenciou histórias inesquecíveis no país asiático, mas até hoje se diverte lembrando alguns hábitos locais, muito diferentes da cultura brasileira.
"Passei um ano longe da minha família, mas foi uma experiência fantástica. Só não fiquei mais porque minha esposa estava grávida e minha filha ia nascer. Se ficasse mais tempo, ia acabar meu casamento (risos)", brincou, em papo com a ESPN.
"Lá era tudo muito complicado, não dava para levar uma bebê recém-nascida, principalmente por causa de idiomas e dos médicos. Lá eles tratam algumas doenças com petróleo, acredita? (risos). Te juro!", garante.
Em certos momentos, ele ficava perplexo com a vida e os costumes do Azerbaijão.
"Muitas vezes pensei: 'Onde foi que eu vim parar?'. No começo foi difícil, mas depois eu fui me acostumando. Baku é uma cidade fantástica, bem moderna e linda. E a torcida do time gostava muito de mim, o que deixava um ambiente legal", contou.
"Mas uma coisa estranha lá é que os homens só usavam preto. Você não pode andar de bermuda na rua, é um país de costumes muçulmanos rígidos, apesar das mulheres não andarem de burca", salientou, antes de lembrar uma boa anedota.
"Uma vez fui na casa de um jogador colega meu, e eu estava vestindo uma camiseta laranja. Chegando lá, todo mundo começou a tirar maior sarro: 'Por que está vestindo roupa de mulher? (risos)'. 'Como assim, tá maluco?' (risos). Mas é assim mesmo: se você usa roupas coloridas ou usa bermuda, todos olham para você e dão risada!", relatou.
Outro fato que o diverte até hoje eram os hábitos de conversas em ruas escuras.
"Era curioso que eu chegava de noite em casa e sempre tinham caras parados na esquina conversando no escuro. Eles têm esse hábito, e no começo eu ficava com certo receio, mas era sossegado. Se é no Brasil, você sai correndo achando que será assaltado (risos)", gargalhou.
Foi jogando pelo Khazar que Cristian também viveu o episódios mais assustador da sua vida.
"Nosso time ia fazer uma pré-temporada em Antalya, na Turquia. Peguei meu voo normalmente no Brasil, mas ele fez escala em Frankfurt. Quando chegamos à Alemanha, fui parado no aeroporto, interrogado e levado de camburão por causa do meu cabelo e da minha barba. Eles acharam que eu era terrorista!", rememorou, ainda espantado quase uma década depois.
"Fiquei mais de duas horas detido. Eles queriam que eu apresentasse a minha passagem de volta, só que eu não entendia nada do que os policiais falavam, porque era muito rápido. Além de tudo, estava um frio danado. No fim das contas, eles tentaram me acalmar, mas eu estava muito apavorado", ressaltou.
Quem acabou salvando o ex-palmeirense foi seu agente.
"Nessa hora, passou de tudo na minha cabeça. Imagine que era uma época que não havia smartphone, Whatsapp, nada! Eu não tinha como me comunicar com o Brasil ou com meu clube. Eles temiam que eu fosse ficar como imigrante ilegal na Alemanha. Parecia um daqueles filmes de espião, sabe (risos)? Por sorte, consegui falar com o Oscar Bernardi, que tinha me lavado, para entrar em contato com o pessoal do Azerbaijão", recordou.
"Eu achei que seria deportado para o Brasil, só que aí o clube me mandou a passagem de volta ao Brasil por fax para os policiais verem. Os policiais ainda me zoaram: 'Ainda bem que você foi parado aqui, e não em Istambul'. Eles disseram que na Turquia seria ainda pior", finalizou.