Nurmagomedov e Conor McGregor fazem duelo de opostos pelo título dos leves
De um lado, um nocauteador perito na promoção de suas lutas; de outro, um wrestler invicto, dominante e avesso aos holofotes
Esqueçam tudo o que já passou. Esqueçam as vitórias contestadas, as provocações e as trocas de farpas pelas redes sociais. A hora chegou. A luta mais esperada, que sozinha tornou o UFC 229 o maior card do ano, está a poucas horas de acontecer. De um lado, o lutador que mais atrai atenções do público e da mídia, e que mais ganha dinheiro com isso; do outro, o campeão mais dominante do UFC, com um cartel invicto de 26 vitórias, e que jamais perdeu um round sequer na organização. Ao redor dos atletas, um público apaixonado, responsável por tornar a pesagem cerimonial um "caldeirão", repleto de bandeiras e camisas da Irlanda, em um clima parecido ao de um jogo de futebol.
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Khabib chama McGregor para a briga (Foto: Divulgação)
Conor McGregor, um nocauteador preciso e impiedoso, tentará retomar neste sábado, na T-Mobile Arena, em Las Vegas, o cinturão de campeão mundial dos pesos-leves do UFC, que já foi seu, das mãos de Khabib Nurmagomedov, um atleta pragmático, que usa o seu wrestling e o preparo físico para anular toda e qualquer arma dos seus adversários. Mesmo que você não consiga esquecer tudo o que foi falado até aqui, na hora da luta, nada disso terá valor algum.
Na matemática do confronto, tanto McGregor quanto Nurmagomedov têm números impressionates a seu favor. O irlandês tem 21 vitórias na carreira, sendo incríveis 18 por nocaute. Já o russo jamais perdeu em 26 lutas, e tem um equilíbrio maior na forma como venceu: oito nocautes, oito finalizações e dez decisões. Se o UFC queria um duelo de estilos e de personalidades, não poderia haver uma luta melhor do que a que encerrará o evento em Las Vegas.
- Ele é uma máquina de decisões. Não nocauteia ninguém, amarra as lutas e foge do que uma luta deveria ser. Eu vou acabar com ele de forma rápida e devastadora. Um nocaute no primeiro round, é o que eu prevejo. Ele é um covarde, foge de mim sempre que pode. Mas, no sábado, ele não poderá mais fugir. Esse cinturão voltará para mim, porque nunca deixou de ser meu - disse McGregor, ovacionado por um público que se deslocou de dezenas de países para prestigiá-lo.
O "Notório" é fanfarrão e sabe se promover. Tem sua própria marca de uísque, provoca seus adversários até o limite, entra em suas cabeças e aproveita o desequilíbrio causado por suas provocações para capitalizar em cima dos erros dos rivais, que buscam humilhá-lo para tentar mostrar que ele não é o que diz ser. Já Khabib é muçulmano, não bebe e não tem a vida pessoal agitada. Treina no Daguestão, na Rússia, e finaliza seus camps em San Jose, na academia AKA, de Daniel Cormier, Cain Velásquez e Luke Rockhold, e segue a linha de respeitar e não provocar seus rivais.
- Não vou mentir, estou um pouco mais emocionado do que o normal. Esta é uma grande luta, a maior da história do UFC, e eu tenho que saber me controlar. Meu trabalho é controlar as minhas emoções, para usar isso de forma positiva. Eu não me importo com esse cara. Ele não representa nada para mim. Mas essa luta deixou de ser apenas uma defesa de cinturão. Passou a ser pessoal, e é assim que eu vou encará-la. Não existe a menor possibilidade de eu apertar a sua mão após a luta - disse Khabib, cuja torcida russa não se fez presente.
Nas cifras, McGregor vence de goleada. Estima-se que, se for quebrado o recorde de pay-per-views vendidos para este evento, chegando-se a algo entre três e três milhões e meio de vendas, ele receba nada menos que US$ 50 milhões - algo em torno de R$ 200 milhões. Já Khabib deve ter uma bolsa próxima a US$ 10 milhões - aproximadamente R$ 40 milhões.