Transporte coletivo passa por crise financeira depois de queda de 95% do número de usuários

As empresas defendem auxílio emergencial para continuar operando

Por Fernanda Gil Lustosa,

O setor de transportes de passageiros em Teresina passa por uma crise por conta das constantes quedas nas quantidades de passageiros. Com as medidas de isolamento social estabelecidas em razão da pandemia do novo coronavírus, a redução do número de passageiro chegou a aproximadamente 95%.

“A quantidade total de passageiros transportados na primeira quinzena de março deste ano, em dias úteis, chegava a quase 220 mil. Após a pandemia e as medidas de isolamento social adotadas, este número caiu para menos de 10.000/dia.Essa mudança vem sendo sentida pelas empresas, que sofrem com os aumentos constantes dos custos e uma queda constante arrecadação”, diz coordenador técnico do SETUT, Vinícius Rufino.

Transporte público passa por crise financeira após queda de 95% do número de usuários (Foto:Wilson Nanaia/Portal AZ)

Ainda de acordo com o coordenador, as empresas defendem um auxílio emergencial oriundo do poder público, para que possam manter a operação, pois o custo atualmente é bem mais alto que a arrecadação.

 “O serviço já vinha desequilibrado e esse problema se agravou substancialmente. Essa queda de demanda somada à ausência de aporte de recursos por parte do poder concedente, para o enfrentamento desta grave crise a qual o país se encontra, resulta na iminência de um colapso no sistema de transporte público”, Vinícius Rufino.

Levantamento

De acordo com o levantamento feito pelo Sindicato das Empresas de Transportes Urbanos de Passageiros de Teresina (SETUT), houve uma queda sistemática na quantidade de demanda do sistema nos últimos 10 anos, e esse número se agrava quando se refere ao passageiro efetivamente pagante.  Em 2010, a média anual de passageiros transportados pagantes era de 6.238.289.  Uma década depois, esse número caiu para próximo de 2 milhões (2.292.814).

A pesquisa aponta ainda que a quantidade de gratuidades aumentou neste mesmo período. Em 2010 a quantidade de passageiros não pagantes era menor que 200 mil/mês. Hoje, este número está próximo de 800 mil/mês.

Todavia, os preços dos combustíveis e peças, por exemplo, são cada vez maiores. O preço médio do diesel passou de R$1,75 em 2010 para R$3,50 “Não há nenhum tipo de desoneração ou subsídio sobre o óleo diesel, como é largamente praticado em outras capitais, fato que auxiliaria na diminuição do custo total”, explica Vinícius Rufino.

Demissões em massa

O presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Empresas de Transporte Rodoviário do Piauí, Fernando Feijão, afirmou ao Portal AZ que mais de 1000 trabalhadores serão demitidos nos próximos dias em Teresina. 

A demissão em massa seria em decorrência dos decretos que suspenderam a movimentação pública na capital em virtude da pandemia de coronavírus.

Segundo Fernando Feijão, os empresários estão propondo além das demissões, mudanças nos contratos de trabalhos que prejudicarão os trabalhadores de forma incalculável.

"As empresas resolveram fazer demissões em massa, de uma maneira cruel. Eles estão propondo demissões, sem que a gente possa receber a multa rescisória de 40%, ou seja, o empregado vai receber apenas o FGTS, dar entrada no seguro desemprego e receber a rescisão em até 10 vezes. E o que é pior, há empresas que devem mais de cinco anos de FGTS para o trabalhador. E o que ele irá sacar? Nada, praticamente. E eles ainda decidem fazer essa coisa horrível com o trabalhador. Essa situação é inaceitável", denunciou.

Greve do transporte público

A greve dos motoristas e cobradores de ônibus de Teresina completou uma semana na última sexta-feira (22) e segue sem acordo com o Sindicato das Empresas de Transporte Urbano de Passageiros (Setut) para o retorno do transporte público na capital. Segundo o Sintetro, mais de 200 trabalhadores já foram demitidos por causa da crise sanitária provocada pelo coronavírus.

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*Com informações da Ascom

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