Mais da metade dos universitários com filhos já interrompeu a graduação
Estudo do MEC aponta vulnerabilidade social e dificuldades para conciliar estudos e cuidados
Mais de 54% dos estudantes de graduação com filhos já precisaram trancar a matrícula ou abandonar temporariamente o curso para dar conta dos cuidados com as crianças. Os dados são de um levantamento ligado ao Ministério da Educação (MEC), que também revela renda baixa, falta de rede de apoio e dificuldades de acesso a políticas de assistência estudantil.
A pesquisa ouviu mais de 7,4 mil estudantes com filhos matriculados em cursos de graduação e pós-graduação. Entre os graduandos, 54,4% afirmaram que já interromperam os estudos em algum momento para atender às demandas da maternidade ou da paternidade. Na pós-graduação, esse percentual é de 36,4%.
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O perfil predominante entre os estudantes de graduação é formado por mulheres, que representam 86,5% dos participantes. A maioria tem, em média, 33 anos, frequenta cursos presenciais, estuda no período noturno e busca concluir a primeira graduação.
O levantamento também evidencia um cenário de vulnerabilidade social. Seis em cada dez estudantes de graduação se autodeclaram pretos ou pardos, quase 80% estão matriculados em universidades federais e 24,6% vivem com renda familiar de até um salário mínimo. Além disso, 16,1% disseram não possuir qualquer rendimento, enquanto outros 14,5% sobrevivem com até meio salário mínimo.
A dificuldade para garantir alimentação aos filhos também aparece entre os principais desafios. Mais da metade dos estudantes informou que as crianças não têm acesso aos restaurantes universitários. Entre aqueles que possuem esse direito, apenas uma pequena parcela consegue utilizar o serviço gratuitamente. O estudo destaca ainda que muitos desconhecem se esse benefício existe, indicando falhas na divulgação das políticas de assistência pelas instituições de ensino.
Outro fator apontado como obstáculo à permanência na universidade é a ausência de uma rede de apoio. Enquanto 43,3% contam com ajuda de familiares ou amigos, quase um terço afirmou enfrentar sozinho a rotina de estudos e cuidados com os filhos. Apenas 5,9% têm condições de contratar babás ou serviços particulares, e 7,5% recorrem a equipamentos públicos.
Os pesquisadores defendem a ampliação de políticas públicas voltadas à permanência de estudantes com filhos, como oferta de creches, fortalecimento da assistência estudantil e ampliação do acesso aos restaurantes universitários para crianças.
Entre os estudantes de pós-graduação, o cenário econômico é mais favorável. A maioria é casada, se autodeclara branca e possui renda superior à observada entre os graduandos, embora parte do grupo também relate dificuldades para conciliar a vida acadêmica com as responsabilidades familiares.
Fonte: Com informações da Agência Brasil