Um mês depois, tentativa de assalto à chefe da Serra da Capivara vira piada de carnaval
Marian Rodrigues alega uma suposta ameaça na rodovia BR-020
Em clima de carnaval após exatos 36 dias da suposta tentativa de assalto contra a chefe do Parque Nacional da Serra da Capivara, Marian Helen Rodrigues, ocorrida no último dia 17 de janeiro, a Polícia Civil de São Raimundo Nonato (525 km de Teresina), provavelmente deve arquivar o caso por falta de provas.
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Marian Rodrigues alega uma suposta ameaça na rodovia BR-020 (Foto: divulgação)
Mesmo durante o carnaval, os policiais têm muitos outros casos importantes e prioritários para resolver e se dedicam integralmente, dia e noite, a isso.
No caso da chefe da Capivara, como já era esperado em função do pequeno, inusitado, ambíguo, incompleto e inconsistente relato da suposta vítima, a investigação não conseguiu avançar. Nenhuma testemunha apareceu. Nenhuma perícia foi realizada. Nenhuma imagem das câmeras de monitoramento da cidade foram analisadas. Nenhuma reconstituição do fato foi solicitada ou feita.
Está tudo como sempre esteve, ou seja, na estaca zero. Nem mesmo os apelos da coordenadora da CR5 do ICMBio, Ana Célia, para que a Polícia Federal ajudasse na investigação do caso parece que não tiveram resultados práticos.
A notícia do fato correu na microrregião de São Raimundo Nonato na mesma noite do suposto incidente, na sexta-feira (17) de janeiro, e o assunto viralizou no Piauí. Várias hipóteses foram levantadas, entre elas, ameaças de caçadores contra a integridade da gestora do Parque Nacional da Serra da Capivara.
No entanto, algumas semanas após o fato, se descobriu que, ao contrário da especulação envolvendo caçadores, a reserva federal estava completamente suscetível a caça, sem nenhuma operação recente. Uma palhaçada típica do carnaval.
Foi um escândalo. A notícia teve repercussão nacional e todo mundo ficou sabendo que, ao invés de combater a caça de animais silvestres, a chefe da unidade de conservação estava sendo acusada de omissão, de fazer vista grossa para a caça no interior do parque. No carnaval algo como o bloco da impunidade.
Com isso, a hipótese de um suposto “atentado” foi refutada pelos fatos, apesar do Boletim de Ocorrência (BO), feito pela Marian ter sido registrado como ameaça.
Outras supostas hipóteses logo viraram fofocas pela cidade e também foram sendo descartadas ou se transformaram em piadas de carnaval. Tudo em clima de festa. Restou apenas a suposta hipótese de uma tentativa de assalto. Mas ainda assim as dúvidas são imensamente maiores do que as poucas certezas.
Gestão problemática
Marian Rodrigues assumiu a chefia do Parque Nacional da Serra da Capivara em dezembro de 2018, nos últimos dias do Governo Temer. Ela não é funcionária pública federal do ICMBio, ocupa um cargo de DAS, indicada politicamente.
Festival Ópera Serra da Capivara (Foto: Joaquim Neto / divulgação)
Em julho de 2019 a chefe do parque protagonizou o primeiro escândalo da sua gestão. Durante o festival Ópera Serra da Capivara, realizado pelo Governo do Piauí, o ministro da Justiça, Sérgio Moro e a família do atual presidente, Jair Bolsonaro (sem partido), foram xingados no palco da Pedra Furada, dentro da unidade de conservação federal. No mesmo evento aconteceu um descontrole no acesso do público, o que ocasionou um número superior de espectadores do que tinha sido autorizado. Além disso, na abertura da festa o som estava acima do permitido, obrigando o representante do MPF que estava presente, a fazer uma intervenção imediata.
Passado-se três meses do caso que teve forte repercussão, Marian Rodrigues se viu envolvida em outro escândalo, dessa vez, com a distribuição de madeira apreendida pela PRF nas imediações do parque. O caso envolvia a Prefeitura de SRN e a ONG Olho D’água, de Coronel José Dias, administrada pelo seu cônjuge Jorlan Rodrigues.
No mesmo ano, em dezembro, veio o primeiro embate com os condutores de visitantes do parque. Dezenas deles se mobilizaram através de um abaixo-assinado direcionado ao presidente do ICMBio, acusando Marian de intransigência, entre outros adjetivos. Tudo resultado da abertura do BPF sem a presença de um guia.
Assunto que virou um impasse entre gestão do parque e condutores
Nesse mesmo mês, de férias, em Teresina, Marian Rodrigues participou de uma reunião na UFPI para tratar de um projeto da ONG privada Olho D’água e lá estavam Marian e Jorlam Rodrigues. Outra vez um suposto conflito de interesses.
Parque Serra da Capivara (Foto: André Pessoa / Portal AZ)
Em 2020 a gestão perdeu completamente o controle do parque. A chefe chegou ao ponto de utilizar uma viatura oficial do ICMBio, com motorista do órgão, para “procurar” um terreno para um projeto privado que tem a participação do Governo do Piauí.
Em seguida veio a notícia de que os salários dos terceirizados que trabalham na Serra da Capivara, entre eles os vigilantes e as mulheres guariteiras, chegaram a ficar três meses atrasados. Continua com janeiro em débito obrigando seus funcionários a cancelar o carnaval.
Logo depois se descobriu que a caça de animais silvestres no parque estava descontrolada e virou notícia nacional, com forte repercussão nos grupos de conservação ambiental.
Nos últimos dias explodiu a notícia de que até à UNESCO deve receber um documento contra as ameaças ao patrimônio natural e cultural do parque. Agora, a situação apresenta sinais de ter ficado insustentável.