Vigilante da Serra da Capivara grava áudio em defesa da chefe do parque

Repercussão da matéria da caça foi imensa e fez envolvidos gravarem depoimentos

Por PortalAZ / André Pessoa,

Um áudio que está circulando nas redes sociais em São Raimundo Nonato, com a voz do vigilante João Leite de Araújo Filho, funcionário terceirizado da empresa FP Global e prestando serviços no Parque Nacional da Serra da Capivara, chama a atenção pelos argumentos utilizados. João Leite sempre foi o mais crítico dos vigilantes, ao ponto de, em escândalos passados, escrever diretamente ao presidente do ICMBio com repercussão em reportagem nacional no episódio em que um vigilante foi morto por um tiro desferido por caçadores na área da reserva federal.

Vigilante da Serra da Capivara grava áudio em defesa da chefe do parque (Foto: André Pessoa / Portal AZ)

Nos últimos meses ele vinha contribuindo sistematicamente na produção de uma série de reportagens criticas denunciando irregularidades, omissão e incompetência da atual chefia do parque nacional sob a responsabilidade de Marian Helen Rodrigues, arqueóloga de formação e ocupante de cargo político à frente da unidade de conservação. João Leite foi fundamental nas reportagens que desvendaram a “farra da madeira”, repassando informações sobre a Prefeitura de São Raimundo Nonato e o envolvimento da ONG Instituto Olho D’água, da qual Rodrigues é uma das sócias fundadoras.

João Leite também trouxe as primeiras informações sobre o atraso no pagamento da empresa FP Global. Um dos áudios que foram decisivos para a empresa pagar dois meses de atraso aos funcionários, foi enviado para nossa reportagem por ele através de programa de whatsApp. Com o áudio em mãos, nossa reportagem pode dar sequência na apuração que levou à descoberta de que a empresa FP Global estava com três meses de salários atrasados, incluindo o décimo terceiro.

Foi também graças ao vigilante João Leite que tivemos acesso as primeiras informações que foram se juntando até culminar na importante reportagem sobre o crescimento da caça de animais silvestres no Parque Nacional da Serra da Capivara. Ele repassou as informações precisas e forneceu subsídios factíveis que levaram a publicação de uma matéria bem fundamentada, com elementos concretos, específica sobre o problema.

Marian Helen Rodrigues (Foto: reprodução Instagram)

Agora, depois da mais importante denuncia dos últimos tempos sobre a gestão do parque nacional, com um escandaloso, revoltante e realista áudio que ele enviou para nossa reportagem, com a voz de um analista ambiental do próprio ICMBio, comprovando tudo que ele vinha repassando a nossa reportagem, João Leite é protagonista de um outro áudio, onde supostamente ele foi obrigado a gravar, para evitar consequências como, por exemplo, a sua demissão.

"Temos a certeza absoluta que João Leite foi obrigado a gravar isso. Ele nunca faria uma coisa dessas, vive denunciando a caça no parque. A voz dele está diferente, nervoso, não podemos duvidar de nada. Gravar por gravar ele não faria isso. Todos os seus amigos estão decepcionados, envergonhados, mas entendemos o que ele deve estar passando", disse um dos amigos da cidade de São Raimundo Nonato que pediu para não citar o seu nome. “Não estamos entendendo nada!"

Ausência do trabalho

O áudio do vigilante João Leite também é suspeito ao se analisar que dia sim dia não, das 18h às 6h, ele ficava prostado na guarita da Serra Vermelha, sem colete à prova de bala, sem porte de arma, dividindo o lugar com o seu companheiro de trabalho, outro vigilante - eles ficam sempre em dupla nas guaritas mais isoladas.  

Imagens de câmera de segurança, no entanto, comprovam que o vigilante João Leite costumava se ausentar da guarita no horário de trabalho, deixando seu companheiro sozinho, enquanto se deslocava alguns quilômetros para acessar a internet. Grande parte desses deslocamentos em horário de trabalho eram para repassar informações para nossa reportagem.

Esse fato pode ser facilmente comprovado de três formas: 1: imagens de câmeras de segurança. 2: horário de utilização das suas redes sociais. 3: depoimento do vigilante que divide o local com ele e que ficava sozinho durante a sua ausência noturna.

Fica a questão para análise: Como João Leite se arriscava tanto, até de forma irresponsável, deixando o posto de trabalho, comprometendo a segurança do seu companheiro, exclusivamente para acessar conteúdo privado na rede mundial de computadores ou para repassar informações à nossa reportagem, e agora ele aparece como protagonista de um áudio que desmente tudo que ele vem fazendo nos últimos 20 anos na área? No mínimo, estranho. Merece uma investigação mais aprofundada.

Escutem abaixo os áudios contraditórios:

Comandante defende a chefe do parque 

Em nota encaminhada ao Portal AZ, na tarde desta segunda-feira (16), o capitão Odair Paes Landim Ribeiro, comandante da Companhia Ambiental do 11º BPM esclarece sobre o áudio vazado nas redes sociais. 

“Venho através desta mensagem escrita, dar resposta a mais uma pessoa sem ética profissional, que vive postando mentiras em portais, com o objetivo de denegrir a imagem da chefe do PNSC/ICMBio, excelente profissional e também da briosa Policia ambiental. Tenho consciência do nosso trabalho que fazemos sistematicamente dentro do parque, tudo isso em parceria com o ICMBio, pernoitando dentro do parque e que este cenário não existe atualmente, e que isso está se configurando muito uma perseguição pessoal a doutora Marrian, que é uma admirável profissional de alta competência, que vem se empenhando muito bem para proteger o parque, e talvez pelo fato de ser mulher este cidadão vem fazendo isso. A título de informação este cidadão que hora e outra vem postando mentiras, poderá e deve responder por Crime de Calunia, difamação, danos morais e apologia ao Crime, uma vez que com essas mentiras que o Parque está sem fiscalização, está em vez de protegendo o Parque, incentivando as pessoas a caçarem. Se o objetivo do mesmo fosse proteger o Parque, se o que fala fosse verdade já havia procurado o Comandante da Companhia Ambiental. Porém como o intuito é denegrir a imagem de quem hora está incumbido da fiscalização, não sai dos portais publicando mentiras”. 

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