PF desarticula esquema bilionário ligado ao “Faraó dos Bitcoins” no DF

Operação Kryptolaundry mira lavagem de dinheiro com criptoativos e bloqueia até R$ 685 milhões.

Por Carlos Sousa,

A Polícia Federal deflagrou nesta terça-feira (9/12) a Operação Kryptolaundry, que mira um esquema de captação ilegal de investimentos em criptoativos ligado ao grupo empresarial de Glaidson Acácio dos Santos, conhecido como “Faraó dos Bitcoins”. Segundo as investigações, o núcleo financeiro desmantelado movimentou mais de R$ 2,7 bilhões, sendo R$ 404 milhões identificados como recursos ilícitos.

Foto: Reprodução/Arte/ Metrópoles“Faraó dos Bitcoins”, Glaidson Acácio dos Santos
“Faraó dos Bitcoins”, Glaidson Acácio dos Santos

A estrutura operava por meio de dezenas de empresas de fachada dedicadas à ocultação patrimonial, com compra de imóveis, veículos e empreendimentos comerciais. A ação policial cumpriu 24 mandados de busca e apreensão e nove prisões preventivas. Até o momento, seis suspeitos foram presos no Distrito Federal e dois na Espanha. Ao todo, 45 pessoas físicas e jurídicas são alvos da operação, por crimes financeiros, lavagem de dinheiro, organização criminosa e falsidade ideológica. A Justiça determinou o bloqueio de até R$ 685 milhões e o sequestro de propriedades urbanas e rurais.

Fontes apontam que parte das movimentações rastreadas tem ligação direta com operadores já investigados no esquema comandado por Glaidson, preso desde 2021 e considerado um dos principais articuladores de pirâmides envolvendo criptomoedas no país. A PF identificou indícios de que empresas e pessoas relacionadas à antiga GAS Consultoria participaram da lavagem bilionária investigada no DF. Esta é a primeira operação que aponta formalmente ramificações do esquema do “Faraó” em Brasília, com atuação ampliada e novas empresas envolvidas.

Glaidson, condenado em outubro a 19 anos e 2 meses de prisão por organização criminosa e corrupção ativa na Operação Novo Egito, permanece detido em regime federal. Seu ex-sócio e braço direito, Daniel Aleixo Guimarães, o “Dany Boy”, recebeu pena de 16 anos e 4 meses. A sentença também destacou o pagamento de R$ 150 mil em propina a policiais da Delegacia de Defraudações para prejudicar concorrentes da GAS. O juiz Nilson Lacerda determinou a transferência de Glaidson para um presídio federal fora do Rio.

Preso desde agosto de 2021, Glaidson foi alvo de uma das maiores operações da PF envolvendo criptoativos. Na ocasião, foram confiscados cerca de R$ 150 milhões em criptomoedas, R$ 14 milhões em espécie, dezenas de carros de luxo, além de relógios e joias avaliados em milhões. Desde 2023, ele cumpre pena na Penitenciária Federal de Catanduvas (PR).

Fonte: Metrópoles

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