PF apura suspeita de fraude bilionária envolvendo Banco Master e BRB
Acareação aponta divergências e investiga operações que podem somar mais de R$ 23 bi
A Polícia Federal investiga suspeitas de fraudes financeiras envolvendo o Banco Master, o Banco de Brasília (BRB) e a gestora de fundos Reag, em operações que podem ultrapassar R$ 23 bilhões. Nesta semana, a PF realizou uma acareação entre Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, e Paulo Henrique Costa, ex-presidente do BRB, após identificar divergências nos depoimentos prestados por ambos.
Segundo a PF, o Banco Master teria vendido ao BRB carteiras de crédito consideradas falsas, avaliadas em R$ 12,2 bilhões, como parte de uma operação que teria o objetivo de salvar financeiramente o Master. Em março deste ano, o BRB chegou a anunciar a compra do Banco Master, mas a transação foi posteriormente negada pelo Banco Central.
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Paulo Henrique Costa, que foi demitido do comando do BRB, defendeu a negociação antes de deixar o cargo. Ele e Daniel Vorcaro participaram diretamente das tratativas. A acareação e os depoimentos foram acompanhados por representantes do Judiciário e do Ministério Público Federal, incluindo o juiz auxiliar do gabinete do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Dias Toffoli e um subprocurador da República.
O início dos trabalhos foi marcado por tensão. Houve discordâncias entre a delegada responsável pelo caso e o juiz auxiliar sobre a forma de condução dos depoimentos. O ministro Dias Toffoli determinou que os envolvidos fossem ouvidos separadamente e encaminhou uma lista de perguntas, que acabou sendo incorporada aos autos com registro formal de sua autoria.
Além do caso envolvendo o BRB, o Banco Central identificou indícios de crimes contra o Sistema Financeiro Nacional em outras operações do Banco Master, desta vez com a gestora Reag. O caso foi encaminhado ao Ministério Público Federal em novembro. Há suspeitas de que essas transações tenham sido usadas para desviar recursos do conglomerado Master.
De acordo com o Banco Central, o esquema envolveria empréstimos do Master a empresas ligadas ao grupo, aplicação desses recursos em fundos administrados pela Reag e a compra de títulos com valores superestimados. O dinheiro circularia entre fundos até retornar a empresas ligadas a Vorcaro e a sócios do Banco Master. O valor estimado dessas operações pode chegar a R$ 11,5 bilhões.
As investigações indicam que o esquema teria ocorrido entre julho de 2023 e julho de 2024, envolvendo combinações complexas de investimentos que colocaram em risco recursos de clientes. A Reag já foi alvo de buscas em uma operação contra lavagem de dinheiro ligada ao PCC, embora a empresa afirme que não participa das atividades econômicas de seus clientes.
Também foi ouvido pela PF o diretor de fiscalização do Banco Central, Ailton de Aquino Santos, que não é investigado. Segundo os investigadores, o depoimento dele foi considerado esclarecedor e contribuiu para a compreensão técnica das operações analisadas.
Fonte: G1