Caso Orelha: celulares de adolescentes são apreendidos em Florianópolis
Justiça determina remoção de postagens e manifestações pedem combate aos maus-tratos
A Polícia Civil de Santa Catarina apreendeu os celulares de dois adolescentes suspeitos de envolvimento nos maus-tratos que levaram à morte do cão Orelha, em Florianópolis. A ação ocorreu logo após o retorno dos jovens ao Brasil, depois de uma viagem aos Estados Unidos. Segundo a polícia, foram cumpridos dois mandados de busca e apreensão, além da intimação para que os adolescentes prestem depoimento.
De acordo com os investigadores, o retorno antecipado dos jovens foi acompanhado pela Polícia Federal, que repassou as informações à Polícia Civil. Outros dois adolescentes também são suspeitos de participação no caso e já haviam sido alvos de uma operação policial realizada no início da semana. As apurações indicam ainda a possível participação de dois pais e de um tio de um dos jovens no espancamento do animal.
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Na quarta-feira, a Vara da Infância e Juventude de Florianópolis atendeu a um pedido dos advogados dos adolescentes e determinou que redes sociais removam publicações que identifiquem os investigados. A decisão é direcionada às empresas Meta, responsável por Instagram, Facebook e WhatsApp, e à Bytedance, controladora do TikTok. As plataformas também devem adotar medidas para impedir a republicação desse tipo de conteúdo.
A defesa afirma que os adolescentes têm sido alvo de difamação e perseguição nas redes sociais, em possível violação ao Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). Os advogados destacam que o caso ainda está sob investigação e que, até o momento, não há acusação formal contra os jovens.
A morte do cão Orelha provocou forte comoção e mobilizou manifestações em diversas cidades do país. Atos estão previstos em Brasília, Rio de Janeiro e São Paulo, com o objetivo de cobrar justiça e chamar atenção para o combate à violência contra animais. Os organizadores afirmam que as manifestações buscam evitar que o caso caia no esquecimento.
No campo legislativo, o episódio também impulsionou propostas de mudança nas leis. Em Santa Catarina, um projeto apresentado na Assembleia Legislativa propõe responsabilização administrativa dos pais ou responsáveis em casos de maus-tratos cometidos por menores, com aplicação de multas e agravamento das penalidades quando houver lesão grave ou morte do animal.
Dados do Conselho Nacional de Justiça mostram que os registros de processos por maus-tratos a animais vêm crescendo no país. Em 2025, foram abertos 4.919 novos casos, um aumento de mais de 20% em relação ao ano anterior.
Fonte: Correio Braziliense