Operação descobre elo da Prefeitura de São Paulo com filme sobre Bolsonaro

Prefeitura firmou contrato milionário com entidade que tem ligação direta com a produtora do longa

Por Rayfran Junior,

Uma operação da Polícia Civil de São Paulo colocou no centro das investigações um contrato de R$ 108 milhões firmado pela Prefeitura de São Paulo com o Instituto Conhecer Brasil (ICB), entidade que tem ligação com a produtora responsável pelo filme Dark Horse, obra sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro.

Foto: Reprodução/InstagramJim Caviezel interpreta Jair Bolsonaro em "Dark Horse"
Jim Caviezel interpreta Jair Bolsonaro em "Dark Horse"

A Operação Wi-Fi Livre foi deflagrada nesta segunda-feira (1º) para apurar possíveis irregularidades na execução do programa de internet gratuita em comunidades da capital paulista. Segundo as investigações, o ICB é administrado por Karina Ferreira da Gama, proprietária da produtora Go Up Entertainment, responsável pela produção do longa-metragem sobre Bolsonaro.

Embora o foco da investigação seja o contrato do programa WiFi Livre SP, a relação entre o instituto e a produtora chamou atenção dos investigadores. O Ministério Público e a Polícia Civil apuram suspeitas de fraude em licitação, irregularidades na execução contratual e possível uso indevido de recursos públicos.

De acordo com as apurações, o acordo previa a implantação e manutenção de 5 mil pontos de internet em comunidades da cidade. No entanto, relatórios apontam que apenas 3,2 mil pontos teriam sido instalados, enquanto pagamentos milionários já haviam sido realizados pela administração municipal.

Os investigadores também questionam a capacidade técnica do Instituto Conhecer Brasil para executar serviços de telecomunicações. Segundo a apuração, a entidade não possui histórico relevante no setor, tendo atuado anteriormente em atividades ligadas a eventos culturais, literários e religiosos.

A investigação ainda analisa pagamentos antecipados que teriam alcançado cerca de R$ 26 milhões e possíveis diferenças entre os valores contratados e os praticados em contratos semelhantes realizados anteriormente pelo município.

Em nota, a Prefeitura de São Paulo afirmou que está colaborando com as autoridades, negou irregularidades e destacou que o programa continua em funcionamento. A administração municipal também ressaltou que o processo de contratação ocorreu antes da produção do filme sobre Bolsonaro e seguiu os procedimentos legais previstos.

Até o momento, não há acusação formal relacionando a produção cinematográfica ao contrato investigado. A ligação citada pelas autoridades refere-se ao fato de a proprietária da produtora do filme também estar à frente da entidade que firmou parceria com a prefeitura.

Fonte: Com informações da CNN

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