TSE julga vídeo de Bolsonaro feito por IA e pode definir limites para deepfakes
Caso envolvendo convenção do PL será um dos primeiros testes das regras eleitorais
Com base no documento indicado e em informações atualizadas sobre o caso, segue a notícia estruturada em O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) deve julgar, na semana de 17 de agosto, uma ação apresentada pelo Partido dos Trabalhadores (PT) contra o Partido Liberal (PL) pelo uso de um vídeo de Jair Bolsonaro produzido com inteligência artificial durante a convenção que oficializou a candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à Presidência da República. O caso é considerado relevante para as eleições de 2026 porque pode representar um dos primeiros testes concretos da regulamentação da Corte sobre conteúdos sintéticos produzidos ou manipulados por inteligência artificial.
Na gravação exibida durante o evento, uma representação digital de Bolsonaro aparece discursando como se estivesse presente na convenção. O conteúdo mostra o ex-presidente afirmando que estava preso e explicando que aquela aparição era uma simulação. O vídeo também apresentava avisos e tarjas informando que as imagens haviam sido produzidas por inteligência artificial. Na sequência, a representação virtual dizia que Bolsonaro havia escolhido o filho, Flávio Bolsonaro, para substituí-lo na disputa presidencial. O PT questionou a legalidade da utilização da peça junto à Justiça Eleitoral.
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O principal ponto analisado pelos ministros será a aplicação do artigo 9º-C da resolução do TSE que regulamenta a propaganda eleitoral. A norma proíbe o uso de conteúdo sintético produzido ou manipulado digitalmente para criar ou modificar imagem ou voz de uma pessoa com a finalidade de favorecer ou prejudicar candidato ou partido. A restrição, segundo a regra, também pode ser aplicada quando há autorização da pessoa retratada. A defesa de Flávio, por sua vez, argumenta que o recurso utilizado na convenção estaria mais próximo de formatos já conhecidos de representação, como caricaturas e fantoches.
Além de decidir sobre o vídeo apresentado na convenção do PL, o julgamento poderá estabelecer um precedente para outras situações envolvendo inteligência artificial durante a campanha eleitoral. A decisão deverá ajudar a definir até onde candidatos e partidos poderão utilizar ferramentas capazes de reproduzir rostos, vozes e discursos de pessoas reais, especialmente em conteúdos com potencial de rápida disseminação nas redes sociais. O TSE também terá de equilibrar a regulamentação da tecnologia com os limites da propaganda eleitoral, diante do aumento da capacidade das ferramentas de IA de produzir materiais com aparência cada vez mais realista.
Fonte: Correio Braziliense