Campeonato Brasileiro: São Paulo e Vasco duelam hoje no Morumbi; Caminhos da Reportagem traz homenagem a Carolina de Jesus, escritora

Campeonato Brasileiro: São Paulo e Vasco duelam hoje no Morumbi; Caminhos da Reportagem traz homenagem a Carolina de Jesus, escritora

São Paulo e Vasco já decidiram um Campeonato Brasileiro em 1989 dentro do Morumbi. Naquela ocasião, os cariocas levaram o título com uma vitória por 1 a 0. Depois de 31 anos, as equipes estão novamente no mesmo palco, hoje às 16h (horário de Brasília), para partida válida pela 22ª rodada da mesma competição, já conquistada cinco vezes por são paulinos e quatro vezes pelos vascaínos.

Agora, quem parece mais perto de reconquistar as glórias do passado é a equipe do treinador Fernando Diniz, classificada para as semifinais da Copa do Brasil e perto da liderança do Brasileirão, mesmo com três jogos a menos que os principais adversários. Do outro lado, o técnico português Ricardo Sá Pinto, além do fantasma do rebaixamento, precisa encontrar 11 titulares em meio a 11 baixas provocadas pelo novo coronavírus (covid-19). Todos os lances deste clássico de muita história terão transmissão da Rádio Nacional.

Um time de desfalques

“Já somos poucos, imagina quando perdemos. Não é fácil gerir isso tudo. Esse campeonato não tem sido muito justo para algumas equipes, não só para minha. É torcer para que voltem rápido porque precisamos deles”, disse o técnico do Vasco, Sá Pinto, logo após o empate em 0 a 0 com Fortaleza na última quinta (19), em São Januário. Naquela oportunidade, ele não sabia ainda que não poderia contar com o goleiro Fernando Miguel, o zagueiro Werley e o atacante Talles Magno. Formado na base e com 19 anos, Lucão deve ser o arqueiro titular neste domingo. No ataque, os vascaínos apostarão na velocidade do colombiano Gustavo Torres e na precisão dentro da grande área do argentino Germán Cano, que já marcou nove gols no campeonato.

Otimismo tricolor

No Centro de Treinamento da Barra Funda o clima é de otimismo e tranquilidade. Na última quarta (18), o São Paulo derrotou o Flamengo por 3 a 0 e carimbou o passaporte para a semifinal da Copa do Brasil contra o Grêmio. A boa fase também se repete no Brasileirão. O Tricolor Paulista tem o melhor aproveitamento do torneio com 66,7% dos pontos disputados. Em 18 jogos, foram 10 vitórias, 6 empates e apenas duas derrotas. Diante do Vasco, Fernando Diniz deve mandar o que tem de melhor. “Poupar é uma questão relativa. Não vemos o jogador apenas dentro de um viés biológico. Ainda temos coisas para melhorar e há um grande rival pela frente. É trabalhar bem para seguir bem nas duas competições”, declarou o treinador, sem desfalques por contusão ou por covid.

Transmissão da Rádio Nacional

A Rádio Nacional transmite São Paulo e Vasco neste domingo ao vivo. O duelo terá a narração de André Luíz Mendes, os comentários de Waldir Luiz, a reportagem de Rodrigo Ricardo e o plantão de Bruno Mendes. Você escuta o show de bola Nacional, que começa às 15h30.

Caminhos da Reportagem traz homenagem a Carolina de Jesus, escritora

 “É muito emocionante ver uma pessoa que não tem nada e também não se contenta com esse nada. E tudo que é oferecido também não basta”, é assim que a escritora Conceição Evaristo define a

resiliência de Carolina Maria de Jesus. Para o Caminhos da Reportagem, Conceição também conta como Carolina inspirou ela própria, e sua família, a “não aceitar a pequenez da vida”.

Carolina nasceu em Sacramento, Minas Gerais, e ainda jovem migrou para São Paulo. Morou na favela do Canindé, criou sozinha três filhos catando papel. E escreveu, escreveu muito. Sua obra de maior sucesso “Quarto de Despejo”, que faz 60 anos este ano, foi traduzida para mais de uma dúzia de idiomas, trouxe fama e reconhecimento para a autora que dizia que seu sonho era escrever. Junto com o sucesso um estigma: o de ser a escritora ex-favelada, só falava de pobreza e fome.

É esta imagem que pesquisadores e novos escritores negros têm tentado mudar nos últimos anos. “É sempre uma imagem marcada pela subalternidade. Carolina era vaidosa, gostava de se arrumar, usar pérolas, e quando tinha agenciamento sobre si, ela escolhia sempre pela vaidade. Hoje a gente tem a felicidade em ver que estamos procurando outras imagens de Carolina”, diz Raquel Barreto, historiadora e curadora da exposição promovida pelo Instituto Moreira Sales com o objetivo de desconstruir o  estereótipo de Carolina,  favelada e sempre com o lenço na cabeça.

Também para celebrar a escritora, vamos conhecer um pouco de suas obras inéditas, que serão publicadas em edição especial pela Companhia das Letras. A doutora em letras, Fernanda Miranda, fala da importância de se ter um conselho curador composto só por mulheres negras para resgatar  a essência de Carolina. Livros, peças de teatro, provérbios, e diários inéditos serão publicados sem cortes. “Nós entendemos que essa publicação estabelece um divisor de águas na obra de Carolina, porque não vamos interferir no texto dela. ‘Quarto de Despejo’ e ‘Casa de Alvenaria’ vão ser lidos pela primeira vez em sua totalidade”, diz Fernanda.

Carolina morreu há mais de quarenta anos e ainda hoje influencia escritores como Rainha do Verso, poeta, atriz e camelô no Rio de Janeiro. E é essa Carolina que você vai ver no Caminhos da Reportagem dessa semana.

A íntegra de Caminhos da Reportagem fica disponível no site do programa.

Obesidade pode agravar câncer de mama, diz estudo

Estudo feito por pesquisadores da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj) identificou que pessoas obesas têm uma quantidade de vesículas eliminadas pelas células de gordura que, ao circularem na corrente sanguínea, podem levar a um processo inflamatório mais exacerbado ou ao agravamento de câncer de mama., caso a pessoa tenha câncer. O grupo de pesquisadores é associado ao Programa de Oncobiologia, projeto que reúne diversas instituições dedicadas ao ensino, à pesquisa e extensão em biologia do câncer e que conta com o financiamento da Fundação do Câncer. O estudo foi publicado na revista internacional Endocrine-Related Cancer.

O epidemiologista e consultor médico da Fundação do Câncer, Alfredcaff,o S esclareceu à Agência Brasil que serão necessários novos estudos para se afirmar com certeza que as pessoas obesas têm maior risco de desenvolver células mais agressivas e invasivas de câncer de mama do que as não obesas. Esse estudo inicial é importante, por outro lado, porque abre “um mundo de possibilidades, tanto de testes diagnósticos, quanto de técnicas terapêuticas”. Esse é o próximo passo da pesquisa.

Fatores

Na avaliação de Alfredo Scaff, o estudo em questão é bastante aprofundado sobre a genética e a biologia do câncer e nele os pesquisadores estão identificando os fatores que podem agravar a doença. “Pessoas que têm fatores associados podem ter um câncer mais grave do que pessoas que não têm esses fatores”, disse Scaff. Completou que, potencialmente, esses fatores são áreas que poderão servir de base para a produção de medicamentos ou formas de terapia que possam ser levados para a população como um todo, em uma etapa posterior, criando metodologias de tratamento que minimizem o quadro,  levando ao controle ou até mesmo à cura do câncer. “Há muita coisa ainda a ser pesquisada para a gente chegar a conclusões mais significativas sobre esse estudo”, disse o consultor da Fundação do Câncer.

Scaff afirmou que a obesidade é um fator de comorbidade e agravamento de uma quantidade grande de doenças. “A obesidade é descrita como um fator de agravamento para um número grande de doenças, principalmente as cronicodegenerativas”. O grupo, liderado pela professora Christina Barja-Fidalgo, descobriu que as vesículas extracelulares (Evs), liberadas pelas células do tecido adiposo de pessoas obesas, têm potencial inflamatório bastante grande. “Esse potencial inflamatório, para uma pessoa que tem câncer ou apresenta propensão a desenvolver a doença, é que leva ao câncer ser mais grave do que em uma pessoa que não é obesa”, disse o epidemiologista.

Ele considerou que se for descoberto medicamento que bloqueie essas vesículas extracelulares na corrente sanguínea, ou se a pessoa consegue emagrecer, reduzindo a circulação no sangue dessas vesículas, o câncer pode ser menos grave ou menos agressivo. Os estudos que serão efetuados a partir de agora levarão ao desenvolvimento de provas ou novas evidências que demonstrem isso.

Pandemia

A obesidade é considerada a pandemia do século 21 pela Organização Mundial da Saúde (OMS), constituindo-se um problema global de saúde pública, com taxas crescentes e associadas ao aumento do risco de câncer de mama. Mais de 55% da população brasileira encontram-se acima do peso, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). De acordo com o Instituto Nacional de Câncer José Alencar Gomes da Silva (Inca), o excesso de gordura pode causar até 16 tipos de tumores.

O grupo de pesquisadores liderado pela professora Christina Barja-Fidalgo pretende investigar, a partir de agora, os conteúdos e as características das vesículas extracelulares eliminadas pelas células de gordura. O objetivo é descobrir as principais moléculas que podem estar associadas ao agravamento dos tumores de mama e como conter essa ação.

Fonte: Agência Brasil

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