Governo define datas para Enem 2022; Morre, aos 91 anos, a cantora Elza Soares

Governo define datas para Enem 2022; Morre, aos 91 anos, a cantora Elza Soares

O governo Jair Bolsonaro (PL) já tem datas para a realização do Enem 2022. O MEC (Ministério da Educação) trabalha para aplicar o exame nos dias 6 e 13 de novembro, segundo informações obtidas pela Folha.

O Enem é a principal porta de entrada para o ensino superior. É usado como vestibular para a maioria das universidades federais, para parte das vagas de estaduais como a USP (Universidade de São Paulo) e também critério para acesso a programas como o Prouni (Programa Universidade para Todos) e Fies (Financiamento Estudantil).

As provas devem ocorrer após as eleições, como é comum em anos eleitorais. O exame direcionado para privados de liberdade está marcado para 13 e 14 de dezembro. Nesta aplicação também fazem candidatos que tiveram algum problema nas provas iniciais.

As datas ainda não foram oficializadas pelo governo. Integrantes do Inep confirmaram à Folha que não deve haver mudanças nesse planejamento.

Questionado, o Inep não respondeu. O órgão, ligado ao MEC, é responsável pelo exame.

Ainda não há data para a publicação do edital da próxima edição. O documento define as diretrizes da aplicação, como calendário de inscrições.

Sob o governo de Bolsonaro, o Enem tem sido alvo de pressões para interferência em seu conteúdo. O objetivo seria alinhar a prova à diretriz ideológica de Bolsonaro, que tem críticas acumuladas a questões supostamente de esquerda ou inadequadas.

O embate ideológico é a principal marca do governo na educação e há disposição para barrar temas no Enem que desagradam o presidente e apoiadores, como questões de gênero e da ditadura militar (1964-1985) –o período, elogiado por Bolsonaro, não mais foi abordado desde 2019.

O jornal Folha de S.Paulo revelou que Bolsonaro chegou a pedir para o ministro da Educação, Milton Ribeiro, questões que tratassem o golpe de 1964 por revolução, em consonância com o revisionismo histórico que ele e apoiadores defendem.

Em junho do ano passado, a Folha mostrou que uma portaria do Inep estabelecia uma espécie de "tribunal ideológico", com a criação de uma nova instância permanente de análise dos itens das avaliações da educação básica. A ideia foi abortada depois da má repercussão.

Às vésperas do Enem de 2021, o Inep passou por uma crise histórica, com a debandada de servidores de postos-chave, denúncias de interferência no conteúdo do exame e de assédio moral.

O Inep trocou um de seus diretores nesta quarta-feira (19) como retaliação à situação, segundo relatos. Mais exonerações são esperadas.

O órgão tem efetivado a exoneração de cargos dos demissionários do ano passado. Nesta quinta (20), três desses servidores foram desligados oficialmente de funções gratificadas, mas ainda não houve reposições até agora.

O Enem 2021 foi marcado por baixo número de inscritos e participantes. A edição foi ainda a mais excludente da história, com a menor proporção de inscritos pretos, pardos, indígenas e pobres.

Parte desse cenário é atribuído por congressistas e especialistas ao próprio MEC. Ministro da Educação, Ribeiro negou-se a estender no ano passado gratuidade a faltosos do exame no ano anterior, realizado em meio ao avanço da Covid-19.

Na aplicação regular, fizeram de fato o exame 2.179.559 pessoas. Na prova impressa, a abstenção foi de 29,5%. Já na aplicação digital, que teve 69 mil inscrições confirmadas, a taxa de faltosos foi de 50,1%.

Os resultados dos participantes estarão disponíveis em 11 fevereiro, segundo o Inep.

As inscrições para o Sisu (Sistema de Seleção Unifica) começam no dia 15 de fevereiro e vão até 18 do mesmo mês. Já o prazo de inscrição para o Prouni será de 22 a 25 de fevereiro. No início de março, do dia 8 ao dia 11, será a vez do processo de inscrição no Fies.

Presidente negocia PEC para zerar impostos sobre combustíveis

O presidente Jair Bolsonaro anunciou nesta quinta-feira (20) que negocia a apresentação de uma Proposta de Emenda Constitucional (PEC) para permitir a redução a zero da incidência de tributos federais sobre combustíveis. O texto ainda não foi disponibilizado, mas os alvos da redução seriam a contribuição do Programa de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público (PIS/Pasep) e a Contribuição para Financiamento da Seguridade Social (Cofins).

  "Nós temos uma Proposta de Emenda à Constituição, que já está sendo negociada com a Câmara e o Senado, para termos a possibilidade de praticamente zerar os impostos dos combustíveis, o PIS e a Cofins", afirmou durante sua live semanal nas redes sociais. O presidente está no Suriname, onde faz uma visita oficial.

Segundo Bolsonaro, há um processo de inflação generalizada que não afeta apenas o Brasil. Em 2021, a gasolina acumulou alta de 47,49% e o etanol, de 62,23%, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Já o diesel teve alta de cerca de 47% no mesmo período.  

Além dos impostos federais, a comercialização de combustíveis também paga o Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS), que é um tributo estadual, e por isso, não seria abrangido por uma eventual aprovação da proposta anunciada por Bolsonaro. Com a mudança constitucional, o governo não seria obrigado a compensar a redução dos impostos sobre combustíveis com a elevação de outros tributos, como determina a Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF). O governo não deu estimativa sobre quanto custaria zerar os tributos federais sobre os combustíveis.

Em 2018, após a greve de caminhoneiros, o então governo de Michel Temer zerou impostos federais sobre o diesel, mas por meio de decreto e com compensação orçamentária correspondente por meio do aumento de outros impostos. Entre março e abril do ano passado, o governo Bolsonaro suspendeu a cobrança de impostos sobre o diesel, decisão que foi compensada com a elevação da carga tributária em outros setores.

Morre, aos 91 anos, a cantora Elza Soares

A música brasileira perdeu uma de suas vozes mais representativas. A cantora Elza Soares morreu hoje (20), em sua casa, de causas naturais, aos 91 anos. Ainda não há informações sobre o velório da artista.

"É com muita tristeza e pesar que informamos o falecimento da cantora e compositora Elza Soares, aos 91 anos, às 15 horas e 45 minutos em sua casa, no Rio de Janeiro, por causas naturais. Ícone da música brasileira, considerada uma das maiores artistas do mundo, a cantora eleita como a Voz do Milênio teve uma vida apoteótica, intensa, que emocionou o mundo com sua voz, sua força e sua determinação. A amada e eterna Elza descansou, mas estará para sempre na história da música e em nossos corações e dos milhares fãs por todo mundo. Feita a vontade de Elza Soares, ela cantou até o fim", destaca comunicado sobre a morte no Facebook da cantora e assinado por assessores e familiares.

Nessa mesma data, em 1983, morria o jogador de futebol Mané Garrincha, que foi marido da cantora.

Vida e obra

Nascida no dia 23 de junho de 1930, no Rio de Janeiro, na favela da Moça Bonita, atualmente Vila Vintém, no bairro de Padre Miguel, zona norte da cidade, a menina Elza Gomes da Conceição veio de uma família humilde e ainda pequena mudou-se para um cortiço no bairro da Água Santa, onde foi criada.

Elza Soares começou a carreia artística fazendo um teste na Rádio Tupi, no programa Calouros em Desfile, de Ary Barroso, e conquistou o primeiro lugar. Após o concurso ela fez um teste com o maestro Joaquim Naegli e foi contratada como crooner (cantor de orquestra ou conjunto musical) da Orquestra Garam de Bailes, onde trabalhou até 1954, quando engravidou. No ano seguinte, voltou a cantar na noite e em 1960 lançou seu primeiro disco, Se Acaso Você Chegasse e, em 1962, seu segundo LP, A Bossa Negra.

Em 1962, Elza fez apresentações como representante do Brasil na Copa do Mundo no Chile, onde conheceu Louis Armstrong (representante artístico dos Estados Unidos), que lhe propôs fazer carreira nos EUA. Neste mesmo ano ela conheceu Garrincha, com quem se casaria e teria um relacionamento conturbado.

Elsa Soares fez carreira no samba, mas também transitou do jazz ao hip hop, passando pela MPB, lançando 36 discos na carreira. Ela foi eleita, em 1999, pela Rádio BBC de Londres como a cantora brasileira do milênio. A escolha teve origem no projeto The Millennium Concerts, da rádio inglesa, criado para comemorar a chegada do ano 2000. Além disso, apareceu na lista das 100 maiores vozes da música brasileira elaborada pela revista Rolling Stone Brasil.

A cantora também ganhou diversos prêmios como três prêmios Grammy Latino e dois WME Awards e, em 2020, foi tema do enredo da Escola de Samba Mocidade Independente de Padre Miguel.

Fonte:  Agência Brasil / Folhapress

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