XXIII domingo do tempo comum

XXIII domingo do tempo comum

O Papa no Ângelus: a fofoca é uma peste pior que a Covid. Francisco volta a falar no Ângelus sobre a fofoca: "por favor, irmãos e irmãs, façamos um esforço para não fofocar". A passagem do Evangelho deste domingo fala da correção fraterna, e convida-nos a refletir sobre a dupla dimensão da existência cristã: a dimensão comunitária e a dimensão pessoal. (Por Silvonei José – Vatican News)

“As fofocas fecham o coração à comunidade, impedem a unidade da Igreja. O grande fofoqueiro é o diabo, que sempre sai dizendo coisas ruins dos outros, porque ele é o mentiroso que tenta desunir a Igreja, afastar os irmãos e não fazer comunidade. Por favor, irmãos e irmãs, façamos um esforço para não fofocar. A fofoca é uma peste pior que a Covid, pior: foi o que disse o Papa Francisco no Ângelus deste domingo, 23º do Tempo Comum, na Praça São Pedro, acrescentando: façamos um esforço: nada de fofocas, nada de fofocas. O ensinamento de Jesus nos ajuda muito, porque pensemos num exemplo: quando nós vemos um erro, um defeito, um escorregão de um irmão ou de uma irmã, normalmente a primeira coisa que fazemos é contar aos outros, fofocar".

A passagem do Evangelho deste domingo comentado pelo Papa fala da correção fraterna, e convida-nos a refletir sobre a dupla dimensão da existência cristã: a dimensão comunitária, que exige a proteção da comunhão, e a dimensão pessoal, que exige atenção e respeito por cada consciência individual. "Para corrigir o irmão que cometeu um erro, Jesus sugere uma pedagogia de recuperação, articulada em três etapas. Primeiro diz: "Avisa-o entre você e ele sozinho", ou seja, não coloque o seu pecado em praça pública. É uma questão de ir ao irmão com discrição, não para o julgar, mas para o ajudar a perceber o que fez", salienta Bergoglio, "contudo, pode acontecer que, apesar das minhas boas intenções, a primeira intervenção falhe. Neste caso é bom não desistir, que se arranje, eu lavo as minhas mãos, não, isso não é cristão, mas recorrer ao apoio de algum outro irmão ou irmã".  

Jesus diz: "se ele não ouvir, leve consigo uma ou duas pessoas novamente para que tudo se resolva com a palavra de testemunhas. As duas testemunhas solicitadas não são para acusarem e julgar, mas para ajudar, para a recuperação", continua o Pontífice. "Também o amor de dois ou três irmãos pode ser insuficiente. Neste caso - acrescenta Jesus -, "dizê-lo à comunidade", ou seja, à Igreja. Em algumas situações, toda a comunidade está envolvida. Há coisas que não podem deixar indiferentes os outros irmãos: é necessário um amor maior para recuperar o irmão. Mas por vezes até isto pode não ser suficiente. Jesus diz: "Se nem mesmo à comunidade ele ouvir, seja tratado como se fosse um pagão ou um publicano”. Esta expressão, aparentemente tão desdenhosa - disse o Papa Francisco -, convida-nos de fato a colocar o nosso irmão de volta nas mãos de Deus: "só o Pai poderá demonstrar um amor maior do que o de todos os irmãos juntos.  É o amor de Jesus, que acolheu os publicanos e pagãos, escandalizando as pessoas bem pensantes da época".

Francisco disse que “não é fácil pôr em prática este ensinamento de Jesus, por várias razões. Há o medo de que o irmão ou irmã reaja mal; por vezes não há confidência suficiente com ele ou ela... E outras razões. "Não se trata de uma questão de condenação sem apelo, mas do reconhecimento de que por vezes as nossas tentativas humanas podem falhar, e que só estando sozinho perante Deus pode colocar o nosso irmão perante a sua própria consciência e a responsabilidade pelos seus atos". Francisco encerrou a sua alocução pedindo a Maria que “nos ajude a fazer da correção fraterna um hábito, para que nas nossas comunidades possam sempre ser estabelecidas novas relações fraternas, baseadas no perdão recíproco e sobretudo no poder invencível da misericórdia de Deus”.

XXIII Domingo do Tempo Comum - Padre César Augusto, SJ - Vatican News

Jesus veio até nós, nos explicou e ensinou de modo engrandecedor os mandamentos e nos deixou o grande testemunho de Amor, morrendo por nós na cruz, nos salvando, corrigindo em nós a culpa de Adão. A liturgia deste domingo chama nossa atenção para a responsabilidade que temos junto aos nossos irmãos. Somos responsáveis na correção do irmão e também em colocar limites, quando necessários, àqueles que nos são confiados. Os pais e responsáveis que não sabem dizer não aos filhos, quando eles precisam desses limites, serão culpados pelo desvio comportamental dos mesmos agora e no futuro. Os pais e responsáveis não precisam ter formação necessária, já que no interior de cada ser humano existe o bom senso e a consciência do que é certo e do que é errado: faz o bem e evita o mal. Amar é também dizer não, quando necessário! 

A primeira leitura da liturgia deste domingo, extraída do Livro de Ezequiel 33, 7-9, no mostra Deus estabelecendo o Profeta como sentinela, como aquele que está sempre atento ao agir de Israel: o profeta, que tem a missão de anunciar e denunciar, deverá advertir, em nome do Senhor, aquele que o mesmo Senhor indicar para receber a correção; se por inúmeras questões o missionado não o fizer, o Senhor pedirá conta a ele; se o fizer e o ímpio, o desastrado, não se corrigir, este será punido, mas o profeta, o educador será preservado. Logo, exercer a responsabilidade em relação à vida do outro, é também salvar a sua. No Evangelho, tirado de Mateus 18, 15-20, Cristo nos manda corrigir o irmão que peca, nos manda ir até ele, até ao pecador. O Senhor nos dá até a pedagogia do perdão, ou se quisermos, o rito de procedimento para com o pecador. Em tudo lemos um grande amor por todos e se destaca a diferença entre irmão e pecador público ou pagão. Aquele que peca e que é objeto de nosso carinho corretivo, é tratado como irmão, mas o inveterado no erro é chamado de pagão, não é mais da família.

Vemos nessas leituras, o grande amor de Deus por seus filhos. Ele faz questão de que todos sejam salvos, isto é, que todos cheguem à maturidade e sejam livres de fato. Daí   a necessidade da correção, dos limites, do saber dizer não e do amor do formador que se abnega de ser simpático e “bonzinho” e aceita ser severo e duro para que o formando entenda que “não é por aí”. Certamente se em nossa sociedade, soubéssemos agir com integridade para com as pessoas, o número de atos desonestos, se existissem, seriam contados a dedo. Estamos acostumados a que tudo “acabe em pizza”. Desvirtuamos o sentido do perdão cristão, temos pavor de sermos tachados de pessoas quadradas e suportamos aquilo que sabemos não estar correto. Sempre “damos um jeitinho” e todos se “saem bem”! Mas se adoto a política de me preservar e não ser molesto ao infrator, seja pequena ou não sua falta, quem perde, além da própria Justiça, é a Comunidade.

Ter um componente desajeitado e, pior, ficar sem ele, além de empobrecer, mostra a incapacidade dela em salvar aquela pessoa. A pena de morte, por exemplo, pode ser considerada a assinatura da incapacidade da sociedade em resgatar aquele seu membro para a vida em comum. Finalmente a segunda leitura, a Carta de Paulo aos Romanos 13, 8-10 nos diz “Quem ama está cumprindo a Lei, e aqui entendemos Lei como deseja Paulo, ou seja, a síntese das muitas regras do judaísmo para o amor. Por isso, amar é cumprir a Lei, pois nisso se resume a Lei (torah) e os profetas, no amor. “Amarás o teu próximo como a ti mesmo”;”o amor é o cumprimento perfeito da Lei.” E corrigir é amar! Jesus veio até nós, nos explicou e ensinou de modo engrandecedor os mandamentos e nos deixou o grande testemunho de Amor, morrendo por nós na cruz, nos salvando, corrigindo em nós a culpa de Adão. O Mestre é aquele que segue o Cristo na missão de profeta, de educador, de formador, que não olha para si mesmo, mas para o bem da pessoa amada, daquele ou daquela que o Criador colocou sob sua responsabilidade.

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