Em eleição, arrependimento não mata. Mas, desmoraliza!

Em eleição, arrependimento não mata. Mas, desmoraliza!

O ex-governador do Ceará, atual senador da República, empresário Tasso Jereissati, jogou a “pá de cal” na candidatura do tucano Geraldo Alckmin na corrida para a eleição presidencial de 2018.

Disse o tucano cearense sobre o PSDB: "O partido cometeu um conjunto de erros memoráveis. O primeiro foi questionar o resultado eleitoral. Começou no dia seguinte (à eleição). Não é da nossa história e do nosso perfil. Não questionamos as instituições, respeitamos a democracia. O segundo erro foi votar contra princípios básicos nossos, sobretudo na economia, só para ser contra o PT. Mas, o grande erro - e boa parte do PSDB se opôs a isso -, foi entrar no governo Temer. Foi a gota d’água, junto com os problemas do Aécio. Fomos engolidos pela tentação do poder."

E Tasso foi cirúrgico na veia: “O desgaste do PSDB começa a partir dos episódios da gravação do Aécio. Começou ali e continuou. Como nós não tomamos as medidas necessárias naquele cenário, era previsível que o desgaste do PSDB iria perdurar e teria consequências graves nas eleições. O desgaste do PSDB vem dali. As pessoas estão vendo mal o PSDB".
Como um dos líderes nacionais dos tucanos, Tasso deixou bem claro o arrependimento do “lado bom” do partido. “Desde o dia seguinte à eleição da Dilma, quando fomos questionar o resultado, o símbolo mais eloquente para a população foi o episódio do Aécio. Ele deveria ter se afastado logo da presidência do PSDB”.

A entrevista do tucano ao Jornal O Estado de S. Paulo desmoralizou e “feriu de morte” o histórico conceito político moralizador do PSDB. E acabou afundando de vez a candidatura de Alckmin. Com a confissão de um arrependimento que, sem dúvida, trará consequências profundas e irreparáveis nas urnas. A honestidade intelectual do fervente “lado azul-amarelo” de Tasso acabou denunciando o golpe protagonizado pelo “lado negro” tucano.

Após as confissões de Tasso, o jornalista, articulista e comentarista do Jornal O Globo, Bernardo Mello Franco, foi inciso em recente artigo publicado na imprensa: “Se arrependimento matasse, não haveria cemitério para tantos tucanos”.

Na campanha eleitoral que segue devastadora para o PSDB, Mello Franco relembrou uma sabatina no O Globo do tucano Geraldo Alckmin, que desconversou sobre a autocrítica de Tasso. “O PSDB não tem nada a ver com esse governo” - disse.

Para o jornalista, isso é conversa fiada. O tucano não falou a verdade. Porque o PSDB chegou a ter cinco ministros no gabinete de Michel Temer. Um deles, Alexandre de Moraes, hoje ministro do Supremo Tribunal Federal, foi secretário de Alckmin em São Paulo. Frente a um fato público e notório, o jornalista conclui de forma arrasadora: “O remorso dos tucanos não é gratuito. Antes de embarcar no ‘grande acordo nacional’, o PSDB liderava as pesquisas para a eleição de 2018. Hoje, seu candidato tem apenas 10% das intenções de voto”.

Inapelavelmente, arrependimento político não mata. Mas, desmoraliza! Como diz o humor negro, “é rir para não chorar”! O surpreendente arrependimento de Tasso contraria até a máxima segundo a qual “você pode ter um tempo para pensar e uma eternidade para se arrepender”. No entanto, ele foi muito sincero para, implicitamente, admitir que “as vezes fazemos coisas das quais nos arrependemos. Mas, sejamos homem para enfrentar as consequências”, parafraseando o pensador Paulo Henrique.

Tasso deixou nas entrelinhas que prefere ser derrubado por um soco, do que ser derrubado por uma mentira. Também implicitamente deixou bem claro para o “lado negro” tucano que o governo Temer é, realmente, uma mentira deslavada.

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