Lula – O “canto” e o “encanto” irradiado de dentro da prisão
Lula – O “canto” e o “encanto” irradiado de dentro da prisão
Tanto no Direito como na vida cotidiana, a superveniência do fato é o efeito de sobreviver, de acontecer de modo imprevisto ou em seguida a outro evento. Na política, vem da ação de acontecer um fato inesperado, capaz, portanto, de causar alteração no quadro político-eleitoral.
Se nos detivermos a uma análise fria e imparcial, desapaixonada, os fatos supervenientes do lançamento da candidatura Haddad à presidência da República e em seguida ao evento da prisão do Lula, a superveniência deles contribuiu decisivamente para desequilibrar a sucessão nacional - o fato novo.
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A jornalista Tereza Cruvinel, em artigo publicado no Jornal do Brasil, sob o título “A natureza do pleito”, diz que se estas previsões se confirmarem, podemos ter no segundo turno mais uma eleição plebiscitária: um confronto entre o PT e o antipetismo, antes encarnado pelo PSDB, que perdeu o papel para Bolsonaro. Resumidamente, entre os que venceram em 2016 e os que foram derrubados.
Queiram ou não, o grande protagonista da eleição presidencial será Luis Inácio Lula da Silva. Ainda que sob protestos e contestações, mas conseguiram levar para o povo a mensagem de que Lula é um “perseguido político”, acusado injustamente pelo Judiciário brasileiro, que o transformou no principal personagem da corrida presidencial.
Façamos uma reflexão com Gilmar Mendes. Partiu do ministro do Supremo Tribunal Federal, em um de seus arroubos politiqueiros, o reconhecimento de que a prisão de Lula foi política. E não se fez de rogado, para admitir que o Judiciário transformara o ex-presidente em um “mito”. Nas entrelinhas do seu arroubo, deixou a assertiva de que “não se mata um “mito” político por decisão judicial”.
Tem razão o ministro. No mundo, não há registro algum que o Judiciário tenha aniquilado uma liderança política por decisão condenatória. Como a pecha há de força excludente. Muito pelo contrário! Todas as vezes que a Justiça investe e particulariza um ou outro lado político acaba contribuindo para a construção de mitos. Que, invariavelmente, permaneceram ou saíram de prisões para os píncaros da glória.
Na literatura do senso comum, mito significa uma lenda, uma crença fora da realidade. Com o desenvolvimento da psicanálise, principalmente a partir dos estudos de Freud e Jung, mito passou a ser entendido de outra forma. Como, por exemplo, no aspecto político, campo propício para a manipulação e a personificação de líderes e de “mitos”.
Erraram feio na pretensão de “trucidar”, de “matar” politicamente Lula pela prisão. Mitos não morrem! Ao contrário, renascem! Seus algozes cometeram um erro palmar, com Lula extraindo forças da característica de não se apresentar para o povo apenas como um símbolo, uma utopia, mas como um fato real. Uma realidade e não uma ilusão.
Juscelino Kubitscheck foi cassado porque era um político com prestígio eleitoral do seu tempo. O presidente que mudou a face do Brasil por Brasília. No entanto, forjaram a lenda de que fora cassado porque era corrupto. Porque roubou a Nação durante a construção da capital federal. Após sua morte, descobriu-se a trama, a forte e injustificada perseguição que o transformou no “mito” que todos aplaudem e que se obrigou a visitar a cidade que criara de forma clandestina em eventos organizados por uma amiga de glórias mil.
Coisa de canalhas
Gilmar Mendes tem razão quando diz que o Judiciário brasileiro transformou Lula em um mito. Tais quais os generais transformaram Kubitscheck. Enquanto JK transformou uma realidade nacional começando pela obra faraônica de Brasília, Lula mudou a essência social dos mais pobres, guinando-os à cidadania antes ultrajada, reduzindo desigualdades e resgatando milhões da extrema pobreza. Um fato incontestável! A comparação pode não ser justificável, mas é, acima de qualquer dúvida, muito palpável.
Há uma máxima que diz: “Mitos políticos não morrem”. Juscelino, por exemplo, nunca morreu para a memória do povo brasileiro. E Lula não morrerá! Porque subestimaram a máxima e realimentaram um “gigante” vigoroso de dentro da prisão. Hoje, pagam um preço altíssimo! Especialmente os que perderam a eleição de 2014 e que financiaram o “golpe Temer”.
Em conclusão, para minar as forças políticas de Lula, em um artigo publicado na Revista Veja, descreveram até sobre “Os órfãos do mito”. Arrogantemente, pregaram aos quatro cantos que Lula estava “morto”. Não somente ele, mas também os “órfãos” do PT. Enganaram-se redondamente! Agora, fica provado que o petista não é aquele “mito dos pés de barro”, da lenda de Nabucodonosor, uma estátua feita de ferro, bronze, ouro e prata, mas com os pés de barro. Que, agora, por fatos supervenientes, como o pássaro mitológico grego Fênix, ressurge para um “Brasil golpista” mais forte ainda de suas próprias cinzas - sem voar, mas com o “canto” e o “encanto” irradiado de dentro da prisão.