Bolsonaro, Mourão e a Síndrome de Estocolmo

Bolsonaro, Mourão e a Síndrome de Estocolmo

Atualmente, o que ocorre no Brasil é muito estranho. O país se transformou num ‘picadeiro’ anárquico. Uma sociedade se agredindo constantemente. Máxime após o lançamento da chapa encabeçada por Jair Bolsonaro, apoiado pelos derrotados da eleição de 2014. Um clima de degradação moral agora reforçado pelo vice, general Hamilton Mourão. Não se sabe quem é pior. Se o titular da chapa ou o vice.

É lamentável! Causa tristeza assistir uma parcela da sociedade bem educada social e intelectualmente aplaudir uma patifaria que descamba para toda espécie de agressão.

Não custa relembrar alguns desatinos de Bolsonaro. Da tribuna da Câmara dos Deputados, soltou sua verborréia agressiva contra deputadas e uma ministra. Em entrevistas, agrediu a negros e a homossexual como sendo a coisa mais natural do mundo, mostrando horrendo preconceito.

Com arma em punho, diante das câmeras, ameaçou fuzilar favelados e desprovidos da sorte. O clima ficou tão tenso que ele próprio foi vítima dessa violência pregada e disseminada no país. Bolsonaro adota um perfil violento desde 2011, quando disse que o PSOL era “coisa de veados”. E “ninguém gosta de homossexual, a gente suporta”.

Recentemente, seu candidato a vice, general Mourão, disse que família sem pai e avô é 'fábrica de desajustados'. Uma agressão direta às mães e às avós, ou seja, a figura fragilizada da mulher. "A partir do momento em que a família é dissociada, surgem os problemas sociais. Atacam eminentemente nas áreas carentes, onde não há pai e avô, mas sim mãe e avó, por isso é fábrica de elementos desajustados que tendem a ingressar nessas narcoquadrilhas" – disse, arrogantemente.

Sinceramente, não compreendo como alguém pode aplaudir tanta canalhice!

Estaríamos, então, convivendo com a Síndrome de Estocolmo. O estado psicológico em que uma pessoa, submetida a um tempo prolongado de intimidação, passa a ter simpatia e até mesmo amor ou amizade para com o seu agressor. Pessoas que possam ter desenvolvido um caráter sádico ou masoquista, desenvolvido sentimentos de afeto e apego à dupla agressora Bolsonaro/Mourão, uma simbiose vítima/agressor na tentativa de reduzir tensões sociais e se contrapor aos outros.

A Síndrome de Estocolmo recebeu esse nome em referência a um famoso assalto em Estocolmo, em agosto de 1973. Nesse acontecimento, as vítimas continuavam a defender seus raptores mesmo depois de dias de cárcere privado.

O caso mais famoso ocorreu no ano seguinte, em 1974. Patty Hearst foi sequestrada e desenvolveu a síndrome durante um assalto a banco. Depois de libertada do cativeiro, juntou-se aos seus algozes, indo viver com eles e sendo cúmplice de outros assaltos.

Teria se abatido sobre a mente de alguns brasileiros a doença psicológica? Em caso positivo, precisam eles de tratamento. E urgente!

O desequilíbrio emocional de Bolsonaro é de todos conhecido. Mas, uma agressão vulgar, desnorteada, partir de um general do Exército, homem preparado nas fileiras da farda para lidar com anormalidades, deixa-nos mais apreensivos ainda. É doença!

A propósito, mesmo reformado, na reserva remunerada do Exército e na inatividade, ao agredir mães e avós gratuitamente com declarações inconcebíveis, o general Mourão violou o próprio Estatuto das Forças Armadas. Vejamos:

Lei nº 6.880, de 9 de dezembro de 1980 - Estatuto dos Militares

Art. 8° O disposto neste Estatuto aplica-se, no que couber:
I - aos militares da reserva remunerada e reformados;

Art. 28. O sentimento do dever, o pundonor militar e o decoro da classe impõem, a cada um dos integrantes das Forças Armadas, conduta moral e profissional irrepreensíveis, com a observância dos seguintes preceitos de ética militar:

(...)

III - respeitar a dignidade da pessoa humana;

XIII - proceder de maneira ilibada na vida pública e na particular;

XIV - observar as normas da boa educação;

XIX - zelar pelo bom nome das Forças Armadas e de cada um de seus integrantes, obedecendo e fazendo obedecer aos preceitos da ética militar;

XVI - conduzir-se, mesmo fora do serviço ou quando já na inatividade, de modo que não sejam prejudicados os princípios da disciplina, do respeito e do decoro militar;

XIX - zelar pelo bom nome das Forças Armadas e de cada um de seus integrantes, obedecendo e fazendo obedecer aos preceitos da ética militar.

Uma violação passível de punição. Gravíssima, “em passant”! Infringência legal para a qual o nosso Exército fecha os olhos em nome da política rasteira, agressiva, deselegante, desrespeitosa, banal,... Uma indisciplina que mancha o verde-oliva na Nação.

Não custa lembrar, os reformados e os da reserva obrigam-se a cumprir o Regulamento Disciplinar das Forças Armadas. A hierarquia, a disciplina e o respeito constituem a base institucional do Exército, da Marinha, da Aeronáutica e das Polícias Militares, devendo ser mantidas, permanentemente, pelos militares na ativa e na inatividade.

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