Lançada a “Operação Ciro Gomes”
Lançada a “Operação Ciro Gomes”
Com a certeza da inviabilidade da candidatura do tucano Geraldo Alckmin na corrida presidencial, faltando poucos dias para findar o primeiro turno da eleição, o Grupo Globo de Comunicação, através do jornalista e comentarista político Merval Pereira, praticamente lançou a “Operação Ciro” como “terceira via” no apagar das luzes do turno inicial.
Apesar de apontar Ciro como um “(...) político irascível e com ideias econômicas ultrapassadas (...)”, o jornalista global diz que o ex-governador cearense “se apresenta como centro político, nem esquerda nem direita, e parece estar mais conectado ao espírito dos tempos atuais, que favorece os candidatos mais assertivos, sem importar muito se suas promessas e ideias são factíveis. (...)”
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A posição do jornalista chama a atenção por três motivos: primeiro, aquela opção clara da Globo desde a queda de Dilma para apoiar o tucano Alckmin não existe mais; segundo, com a fraca performance tucana, a outra opção seria Bolsonaro; terceiro, com o fato do atentado, uma última opção nasce agora com a “cartada Ciro”. Que deverá reunir tucanos e cia.
Com o fracasso de Alckmin e o atentado a Bolsonaro, insinua-se agora na imprensa nacional que entrará em cena a “Operação Ciro”, como sendo um candidato mais “alinhado” ao centro. Como apregoa Merval, nem à esquerda, nem à direita.
O texto do jornalista, em forma de editorial da Revista Época, do Grupo Globo, deixa nas entrelinhas que os candidatos que ficarão do quarto lugar para baixo na corrida presidencial no primeiro turno deverão apoiar Ciro Gomes. Já que este decidiu, agora, demonstrar que será a voz dos contrários ao radicalismo e dos contrários ao petismo.
Acenando para Ciro, insinua-se que a última pesquisa Datafolha deixou uma “fresta” para a possibilidade de um cenário alternativo. Com Alckmin patinando e Marina desidratando nas pesquisas, entendem que haverá um convencimento para chamar a atenção para candidatura Ciro Gomes. O quadro do Datafolha, segundo insinuam, é mais favorável para o pedetista em comparação ao apresentado pelo Ibope.
Um conclusão é certa: todos abandonaram Alckmin. Quanto a Bolsonaro, é uma incógnita! Porém, convencidos estão – e estarão - de que o capitão deverá ser substituído por Ciro no segundo turno, dependendo do “andar da carruagem”. É que a lei permite que uma “terceira via” (um terceiro colocado no primeiro turno) possa substituir um candidato que desista da eleição em segundo turno; seja considerado inválido ou incapacitado para o cargo de presidente por motivo de doença; ou, por último, excluído por morte. A disputa seria, então, entre Ciro e Haddad.
Sinceramente, é estranho tal comportamento. A não ser que se tenha a convicção, e, sobretudo, a confirmação de que Bolsonaro estará mesmo fora do páreo no segundo turno. Não por falta de votos, claro, mas por outras circunstâncias alheias ao povo e à vontade do eleitor. Que só a Deus será permitido saber.
*Miguel Dias Pinheiro é advogado