Gangsterismo
Gangsterismo
As revelações do ex-procurador geral da República, Rodrigo Janot, de que em 2017 participou de uma sessão do pleno do Supremo Tribunal Federal (STF) com uma pistola no coldre e, por duas vezes, tentou engatilha-lá para eliminar o ministro Gilmar Mendes, causou uma onda de estupor nacional desmedida.
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Rodrigo Janot de camisa róseo e Gilmar Mendes com o copo à boca, com as respectivas esposas em excursão pela Alemanha (Foto: Agência O Globo)
De há muito, os poderes constituídos foram tomados por uma promiscuidade assombrosa, tendo o poder judiciário contribuído para que o esgarçamento do tecido social se aprofundasse ainda mais.
Como absorver com naturalidade, a esposa de um ministro do Supremo Tribunal Federal, no caso Gilmar Mendes, ser “sócia” de uma banca de advogados, tida e havida, como uma das mais caras do Brasil, a do advogado Sérgio Bermudez?
Será que essa senhora está nessa condição por ser dotada de alto saber jurídico, ou simplesmente exercendo a função de tráfico de influência nas causas de interesse da banca de Sérgio Bermudez, junto aos Tribunais Superiores?
Por outro lado, a relação promíscua existente- segundo denunciou Gilmar Mendes- entre a filha do ex-procurador Rodrigo Janot, atuando como advogada de defesa, de uma das figuras mais comprometidas na Lava Jato não caracterizaria também tráfico de influência, já que a função primordial do Procurador-Geral da República é oferecer denúncias ao poder judiciário dos investigados nas instâncias inferiores?
Afinal, todas essas anomalias que estamos a presenciar no funcionamento dos poderes constituídos não causam mais nenhuma perplexidade numa população que já se apercebeu, que as relações existentes entre os integrantes do dito crime organizado hoje em dia pouco diferem das promiscuidades praticadas pelas mais altas autoridades dos poderes da República.
Essas declarações do ex-procurador-geral da República, Rodrigo Janot, revelando a intenção que tivera há dois anos de eliminar fisicamente o ministro Gilmar Mendes se enquadra perfeitamente no modus operandi da criminalidade que tomou conta do país.
É isso.