O fim da Lava Jato
O fim da Lava Jato
Anunciado no dia de ontem, com pompa e circunstância, para gáudio dos usurpadores dos impostos pagos pela população brasileira, o fim da Lava Jato, cristaliza-se uma verdade incontestável. No Brasil, o crime compensa.
Essa força tarefa, que teve início com a Polícia Federal desvendando uma lavagem de dinheiro através de uma agência de câmbio em Brasília, anexa a um posto de lavagem de carros, desbaratou através das procuradorias da República dos Estados do Paraná e do Rio de Janeiro, o maior esquema de corrupção da história da humanidade.
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Essa verdadeira pá de cal jogada sobre a força tarefa da Lava Jato pelo atual Procurador Geral da República Augusto Aras, que alguns acreditam ter começado com a aceitação do Juiz Sérgio Moro em participar do governo Bolsonaro, ludibriado por Bolsonaro , com a promessa de que assumindo o Ministério da Justiça, ele estaria praticamente indicado para a primeira vaga que surgisse no Supremo Tribunal Federal. Erro crasso de avaliação do ex-Juiz Sérgio Moro.
Não custa lembrar que toda a campanha do candidato Jair Bolsonaro, teve como mote a atuação da força tarefa da Lava Jato.
A escolha do Procurador Geral da República, fora da tradicional lista tríplice, constituiu- se também como uma das peças desse verdadeiro jogo de xadrez, criado para desacreditar as ações da Lava Jato, bem como tornar impunes todos os malfeitores deste país, abarcando dos filhos de Bolsonaro ao ex-presidente Lula.
O mais hilário nessa tramoia , liderada que foi pelo ministro Gilmar Mendes, alardeando como um verdadeiro escândalo a troca de informações entre o Ministério Público Federal em Curitiba e o Juiz Sérgio Moro.
Há de se questionar. Como esses dois entes da nação brasileira, poderiam investigar, perscrutar e desvendar o sofisticado sistema de ocultação de pagamentos de propina à classe política brasileira, criado por Marcelo Odebrecht?
Mas o que podemos considerar como fato determinante do fim da Lava Jato, foi a decisão do plenário do Supremo Tribunal Federal que, para benefiar os corruptos e corruptores condenados em segunda instância , mudou o entendimento vigente até então, ao proibir a prisão de condenados em segunda instância , enquanto houver a possibilidade de recursos nos tribunais superiores.
Como o direito pátrio permite que aquele condenado em segunda instância, dispondo de recursos financeiros, recorra das sentenças até a prescrição da mesmas, o Supremo Tribunal Federal, com essa decisão, desmontou a Lava Jato, bem como inscreveu de forma explícita no nosso ordenamento jurídico que, aqui no Brasil , cometer crime compensa.
É isso.
*Este artigo é de responsabilidade de Murilo Noleto, não reflete, necessariamente, a opinião do Portal AZ.