O ministro André Mendonça, relator do caso do Banco Master no Supremo Tribunal Federal (STF), decidiu nesta terça-feira (8) afastar o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, de suas funções.
Mendonça também afastou preventivamente o diretor de Inteligência da PF, Leandro Almada.
O ministro justificou a urgência da medida diante do que disse ser a “superlativa gravidade” e “ilicitude” da divulgação de “relatórios de inteligência” da PF pelo ministro Alexandre de Moraes, também do Supremo.
O movimento ocorre após Moraes ter tornado público, na semana passada, um relatório da PF em que se sugere um possível direcionamento das investigações do caso Master contra desafetos políticos de Mendonça. O documento, contudo, não é assinado nem possui o cabeçalho da PF.
"[O episódio] impõe a adoção de providências imediatas para evitar que as prerrogativas da magistratura, da advocacia pública e da própria atividade policial continuem sendo vilipendiadas”, escreveu Mendonça.
Taxa média de recusa de doação de órgãos pelos familiares é 45%
O momento da perda de um ente querido é uma das situações mais dolorosas para uma família, que se vê diante da difícil decisão de autorizar ou não a doação de órgãos após a constatação de morte cerebral para salvar vidas de pessoas desconhecidas na fila de espera. No Brasil, a taxa média de recusa familiar para a doação de órgãos gira em torno de 45%, índice que varia entre estados e até mesmo entre hospitais de uma mesma cidade, evidenciando que a recusa não depende apenas da população, mas também de fatores institucionais.
Segundo o presidente da Associação de Medicina Intensiva Brasileira (AMIB), Cristiano Franke, muitos pacientes deixam seus familiares orientados sobre sua vontade de doar órgãos e muitas famílias também gostariam de fazer isso, atendendo a esse desejo. Entretanto, ele reforça, que, em muitos casos, a falha no acolhimento aos familiares e na comunicação dentro dos hospitais — tanto públicos quanto privados — é um dos principais obstáculos para a efetivação das doações.
“Muitas vezes as famílias não recebem todas as informações adequadamente, no momento e com um protocolo adequados para tomarem a melhor decisão. E muitas vezes também, as equipes médicas não estão preparadas para lidar com conversas difíceis, utilizando termos excessivamente técnicos e inacessíveis, ou realizando abordagens consideradas frias e comerciais em locais inadequados”, disse Franke.
Por conta disso, a AMIB, em parceria com o Ministério da Saúde, capacitou, entre setembro de 2025 e agosto de 2026, 2.534 profissionais de saúde para atuar no processo de doação e transplantes de órgãos. Até o momento, o resultado, que já superou em 25% a meta inicial desse projeto de 2 mil participantes capacitados.
O objetivo dos cursos elaborados e oferecidos pela AMBI é o ampliar o número de profissionais preparados para conduzir esse processo, incluindo a melhoria na comunicação para reduzir a resistência das famílias em autorizarem a retirada de órgãos de parentes com diagnóstico de morte encefálica.
De acordo com Franke, a formação também busca qualificar as diferentes etapas que antecedem uma doação, abrangendo a identificação de potenciais doadores, a determinação da morte encefálica e a manutenção clínica do potencial doador, tornando o processo mais seguro.
“Atingir mais de 2,5 mil profissionais capacitados mostra que estamos conseguindo levar conhecimento técnico para quem está na linha de frente de um processo que exige muita responsabilidade. Um diagnóstico de morte encefálica precisa seguir critérios rigorosos, assim como a manutenção do potencial doador e o diálogo com a família”, afirmou.
Entre as dificuldades para os familiares aceitarem autorizar os transplantes estão a compreensão ou aceitação do diagnóstico de morte encefálica, crenças religiosas, receio de alteração da integridade do corpo, desconfiança em relação ao processo e desconhecimento sobre a vontade manifestada em vida pelo familiar, ou até mesmo a percepção de que os profissionais estavam mais interessados nos órgãos do que no paciente ou em seus familiares.
“As famílias têm receio de deformação do corpo e nós explicamos adequadamente como é feito o procedimento e a reconstituição do corpo, que não deixarão deformidades visíveis nos ritos funerais como o velório. Elas trazem isso com muita clareza e nós precisamos explicar isso com tempo e clareza”, explicou.
De acordo com a AMIB, entre os participantes capacitados até agosto, estão 933 médicos, dos quais 473 receberam treinamento voltado à determinação de morte encefálica. O restante dos participantes, que são médicos, enfermeiros, psicólogos, assistentes sociais, técnicos de enfermagem, fisioterapeutas, administradores, farmacêuticos, odontólogos, biólogos, e um nutricionista e um pedagogo, tiveram instruções sobre o Gerenciamento no processo de Doação e Transplante (GPDT) e uso da Comunicação em Situações Críticas (CSC).
Até agosto, já haviam sido realizados 73 cursos, distribuídos em 23 módulos e com atividades em 25 estados brasileiros. Ainda estão previstos mais oito treinamentos até o encerramento do projeto. Neste mês, eles ocorrerão em Fortaleza (CE) e Florianópolis (SC).
Transplantes no Brasil
De acordo com dados do Registro Brasileiro de Transplantes, da Associação Brasileira de Transplante de Órgãos (ABTO), em 2025, foram registrados 15.940 potenciais doadores no país. Desse total, 4.335 tornaram-se doadores efetivos. Entre as famílias entrevistadas, 4.200 não autorizaram a doação, o equivalente a 45% das entrevistas realizadas. No mesmo ano, o Brasil alcançou 20,3 doadores efetivos por milhão de habitantes, contra 19,2 em 2024.
Inscrições dos seletivos do TRE-PI e TJ-PI começam nesta terça (8)
Começam hoje (8) as inscrições para dois seletivos para estágio no Poder Judiciário do Piauí. É que o Tribunal Regional Eleitoral do Piauí (TRE-PI) oferece quatro vagas imediatas e cadastro de reserva, enquanto o Tribunal de Justiça do Piauí (TJ-PI) abriu seleção para formação de cadastro de reserva, ambas nesta terça.
NO TRE-PI, as inscrições são gratuitas e seguem até 17 de setembro. A seleção contempla estudantes de Direito, Informática, Ciências Contábeis, Jornalismo, Administração, Biblioteconomia e Estatística. As oportunidades estão distribuídas entre Teresina e municípios do interior, incluindo Corrente, Picos, Piripiri, Bom Jesus, Parnaíba, Floriano e Luís Correia. O edital prevê quatro vagas para preenchimento imediato, além da formação de cadastro de reserva.
Para participar, o estudante precisa comprovar índice de rendimento acadêmico igual ou superior a 7. A seleção considera ainda o cumprimento da carga horária prevista no curso. Os selecionados terão jornada de 20 horas semanais e receberão bolsa mensal de R$ 1.575,00, além de auxílio-transporte de R$ 4 por dia.
O cadastro para o estágio do TRE-PI poderá ser feito entre esta segunda-feira (08) e o dia 17 de setembro. No último dia, o formulário eletrônico ficará disponível somente até as 14h. A seleção não prevê prova escrita. Conforme o edital, a classificação considera o índice de rendimento acadêmico apresentado pelos candidatos e os requisitos relacionados à formação. Os detalhes sobre documentação e critérios devem ser consultados no edital do processo seletivo.
Já o TJPI abriu seleção para formação de cadastro de reserva em seu Programa de Estágio de Nível Superior Não Obrigatório. O processo contempla estudantes de Direito, Estatística, Ciência da Computação, Psicologia, Serviço Social, Administração, Ciências Contábeis, Comunicação Social, Arquitetura, Biblioteconomia, Engenharia Civil, Engenharia Elétrica e Logística.
As inscrições para a seleção do TJPI seguem até 28 de setembro, exclusivamente pela internet, com taxa de R$ 50. O pedido de isenção poderá ser feito entre 8 e 10 de setembro por candidatos que atendam aos critérios previstos no edital.
A seleção será realizada por meio de prova objetiva, marcada para 1º de novembro. O exame terá 50 questões, sendo 10 de Conhecimentos Gerais e 40 de Conhecimentos Específicos, com aplicação prevista em Teresina, Corrente, Floriano, Parnaíba, Picos, Piripiri e São Raimundo Nonato.
Para assumir uma vaga no TJPI, o estudante deverá estar dentro dos períodos exigidos para cada modalidade de curso. A jornada será de cinco horas por dia, de segunda a sexta-feira, com bolsa equivalente a um salário mínimo, auxílio-transporte e seguro contra acidentes pessoais. A seleção do TJPI também prevê reserva de 10% das vagas para pessoas com deficiência e 30% para candidatos autodeclarados negros. O resultado final está previsto para 18 de novembro, e a homologação deverá ocorrer em 25 de novembro de 2026.
Fonte: Agência Brasil / TJ-PI