Direto da Redação: órgãos executivos se tornaram bons de negócios

São anúncios de festas — caminhadas e cavalgadas — e sempre envolvem chefes de órgãos

Um claro meio de negócios

Um espirituoso, certamente opositor à atual gestão, andou espalhando que não tem exercício melhor que ler diariamente nesta coluna as notas sobre arraiás, vaquejadas, festas, construções de quadras e a criação de tudo que é invencionice para dar dinheiro nas secretarias.
Há quem faça as contas e descubra muita gente bem “arremediada”. É um bazar.

Foto: Gerada por IA

Quadra

A Secretaria de Agronegócio do Piauí vai fazer uma quadra poliesportiva na cidade de Bela Vista do Piauí a um custo de R$ 536.708,13.
A obra será executada pela empresa Construtora Agiliza.

Festa

Francis Lopes, que foi deputado estadual, participou em 3 de maio deste ano da III Festa dos Vaqueiros do Povoado São José dos Barros, também conhecido como Mandacaru, em Luís Correia.
Consta em contrato que a Coordenadoria de Enfrentamento às Drogas e Fomento ao Lazer pagou R$ 50 mil para a empresa do artista.

Foto: Reprodução

Arraiás

Também foi de R$ 50 mil o valor despendido pela mesma coordenadoria para a empresa Asaphee Show e Eventos pela realização do Arraiá do Bairro Pedra Mole, zona leste de Teresina, em 19 de junho.
Outros R$ 100 mil foram pagos à mesma empresa pela apresentação artística realizada no evento “Arraiá da Melancia”, dia 20 de junho, no Angelim, zona sul de Teresina.

Vaqueiro

Vai custar R$ 100 mil, pagos pela Coordenadoria de Desenvolvimento dos Territórios, a apresentação do cantor Damásio Neto, marcada para 28 de junho, na Festa do Vaqueiro em Manoel Emídio.

Toca de novo

O mesmo cantor receberá da mesma coordenadoria o mesmo valor de R$ 100 mil por outra apresentação, esta na 24ª edição do “Arraiá do Magrão”, na cidade de Simplício Mendes, marcada para 27 de junho.

Frota

R$ 1.623.930 é quanto a Secretaria de Agronegócio do Piauí pagou à empresa HPE Motores do Brasil pela aquisição de sete picapes cabine dupla, tração 4x4, diesel, Mitsubishi Triton GL.

Estádio

A Secretaria de Transportes assinou contrato com a empresa Vitória Locação e Construção Ltda., no valor de R$ 1.218.167,62, para construir um estádio municipal na cidade de Canavieira, no Sul do Piauí.

Campo

Já a Secretaria de Trabalho e Emprego vai pagar R$ 490.361,85 à empresa Construtora Caxé pela obra de urbanização e reforma do campo de futebol do bairro Baeta, localizado na zona rural do município de Eliseu Martins.

Policlínica

A Secretaria de Saúde do Piauí assinou contrato no valor de R$ 20.890.323,66 com a empresa CP Engenharia Ltda. para construção da Policlínica na cidade de Picos, financiada pelo Novo PAC.
O contrato inclui a elaboração de projetos básicos e executivos de arquitetura, engenharia, planos e programas ambientais.

Novos limites 1

Uma lei estadual publicada ontem altera os limites territoriais do município de Santa Cruz do Piauí com os municípios de São João da Varjota, Paquetá, Itainópolis, Isaías Coelho, Floresta do Piauí e Oeiras.

Novos limites 2

Outra lei estadual também publicada ontem altera os limites de Curralinhos com os municípios de Nazária, Monsenhor Gil, Miguel Leão, São Pedro do Piauí e Palmeirais.

Janeiro Branco

Lei estadual de autoria do deputado Gustavo Neiva (PP), sancionada nesta semana pelo governador Rafael Fonteles (PT), cria no Piauí a Semana Estadual do Janeiro Branco, dedicada à promoção da saúde mental e do bem-estar emocional, com enfoque especial na prevenção da dependência química e do suicídio.

Foto: Reprodução
Gustavo Neiva

Reggae na festa junina?

Há algo estranho acontecendo com a cultura popular brasileira. Em muitas cidades, festas tradicionais estão sendo ocupadas por atrações que não possuem qualquer ligação com a história do evento. Não se trata de atacar o reggae ou o sertanejo, mas de questionar a lógica de substituir manifestações culturais locais por gêneros importados para aquele contexto. É como organizar uma festa gaúcha e trocar o chimarrão pela cajuína como símbolo principal. O evento continua existindo, mas sua identidade desaparece.

Descaracterização das festas juninas

O mais preocupante é que essa descaracterização frequentemente ocorre com recursos públicos. Prefeituras contratam atrações sem avaliar os impactos culturais sobre a tradição da festa e relegam artistas locais a papéis secundários. A situação lembra alguém viajar ao Piauí ou ao Maranhão e exigir que o bumba-meu-boi dê lugar a outra manifestação sem qualquer vínculo regional. Cultura não é produto de prateleira para ser trocado conforme a moda do momento. Cada festa carrega história, memória e pertencimento.

Troca sem nenhum sentido

Seria um absurdo pedir a um gaúcho que abandonasse o chimarrão ou convencer um nordestino de que a cajuína não representa sua terra. Da mesma forma, deveria soar estranho substituir a trilha sonora tradicional da Oktoberfest — a maior festa de cultura alemã do Brasil, realizada anualmente em Santa Catarina e marcada por músicas, danças e costumes germânicos — por forró. A diversidade cultural brasileira é uma riqueza, mas diversidade não significa misturar tudo indiscriminadamente. Cada manifestação cultural possui sua história, seu contexto e sua identidade. Quando a tradição perde espaço para o modismo, quem perde não é apenas a festa. É a própria cultura local.

Pré-candidatura chama atenção

As movimentações para as eleições de 2026 já começaram a ganhar espaço nos bastidores da política piauiense. Entre os nomes que surgem no debate sobre a disputa ao Senado Federal está o de Manuel Domingos, do Partido Verde (PV), que tem ampliado sua presença em eventos políticos e discussões públicas. Embora o cenário eleitoral ainda esteja em fase de construção, sua pré-candidatura começa a ser observada por lideranças e analistas que acompanham a dinâmica política do Estado.

Foto: Foto divulgação
Manuel Domingos Neto

Busca por renovação

Pesquisadores e observadores da política apontam que parte do eleitorado demonstra interesse por novos nomes e discursos diferentes daqueles que tradicionalmente dominam o cenário eleitoral. O fenômeno não é exclusivo do Piauí e pode ser observado em diversas regiões do país. Nas redes sociais, temas como renovação política, representatividade e maior proximidade com as demandas da população aparecem com frequência entre os assuntos debatidos pelos eleitores.

Ciro Gomes critica o hidrogênio verde

Ao afirmar que houve “três anos de papo furado sobre hidrogênio verde”, Ciro Gomes reacendeu uma discussão que vem ganhando força em diversos estados do Nordeste. A crítica do ex-ministro não se limita à tecnologia em si, mas ao descompasso entre os anúncios grandiosos e os resultados efetivamente entregues à população.

Foto: Reprodução
Ciro Gomes

Durante anos, governadores, empresários e entidades de classe apresentaram o hidrogênio verde como uma revolução econômica capaz de transformar a região em um dos principais polos energéticos do mundo. Foram anunciados bilhões em investimentos, memorandos de entendimento, missões internacionais e projeções de milhares de empregos. Entretanto, para Ciro, a velocidade da propaganda superou a velocidade das realizações concretas.

Apenas blefe e caro

A declaração é polêmica porque atinge diretamente um dos projetos mais promovidos pelos governos nordestinos nos últimos anos, colocando em dúvida se a população já está colhendo os benefícios prometidos.

Piauí também entra no centro do debate

Embora as críticas tenham sido direcionadas ao Ceará, o raciocínio apresentado por Ciro Gomes inevitavelmente alcança o Piauí. O governador Rafael Fonteles transformou o hidrogênio verde em uma das principais vitrines de sua gestão, anunciando acordos internacionais, parcerias estratégicas e investimentos bilionários voltados à instalação de empreendimentos no litoral piauiense.
Quanto se gastou nessa fantasia?

Expectativas exageradas

Os defensores da estratégia argumentam que projetos dessa magnitude exigem anos de planejamento, licenciamento e construção antes de produzir resultados econômicos expressivos. Já os críticos questionam se o entusiasmo institucional não criou expectativas exageradas diante de uma realidade ainda marcada pela ausência de produção comercial em larga escala.

Promessas não cumpridas

A principal cobrança é simples: onde estão os empregos prometidos, as indústrias em funcionamento e os impactos econômicos perceptíveis para a população? Enquanto essas respostas não surgem de forma clara, o debate tende a permanecer aberto.

Copa já não mobiliza

A Copa do Mundo continua sendo o maior evento esportivo do planeta, mas a edição de 2026 parece não despertar entre os brasileiros o mesmo entusiasmo observado em décadas anteriores. Ruas decoradas, grandes concentrações de torcedores e o clima de festa nacional tornaram-se menos frequentes. Especialistas apontam que a fragmentação da atenção causada pelas redes sociais, o excesso de competições esportivas ao longo do ano e as mudanças culturais contribuíram para reduzir a capacidade do torneio de monopolizar o interesse popular como acontecia no passado.

Foto: Foto: Manuel Velasquez - FIFA/FIFA via Getty Images

A Seleção perdeu identificação?

Uma das explicações para o menor envolvimento popular está na relação entre o torcedor e a Seleção Brasileira. Antigamente, os ídolos atuavam por mais tempo no futebol nacional e faziam parte do cotidiano dos torcedores. Atualmente, a maioria dos atletas constrói carreira no exterior ainda muito jovem. Como consequência, muitos brasileiros acompanham mais os clubes europeus do que os próprios jogadores convocados. Isso reduz a proximidade emocional e enfraquece a identificação que durante décadas transformou a Seleção em símbolo de unidade nacional.

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