Direto da Redação: imposto e energia no segundo estado mais pobre

O caso piauiense merece atenção por reunir dois fatores que pesam sobre o orçamento das famílias

É aqui onde se paga mais

Uma das menores rendas do país e uma das maiores tarifas residenciais de energia. Além disso, a alíquota interna geral de ICMS chega a 22,5%. Não é apenas uma discussão sobre imposto ou tarifa isoladamente. É preciso olhar para o efeito conjunto dessas cobranças sobre quem tem menor capacidade de pagamento.

Foto: Reprodução/EquatorialNovo desconto na conta de luz começa a valer para famílias de baixa renda
O Estado que menos arrecada para uma conta bem salgada - os usuários - de energia elétrica

Energia pesa mais para quem ganha menos

O preço do kWh é apenas parte da história. O que realmente importa para uma família é quanto aquela despesa representa dentro da renda mensal. Em 2025, o rendimento domiciliar per capita do Piauí foi de R$ 1.546, enquanto a média brasileira chegou a R$ 2.316, segundo o IBGE. Com uma tarifa de R$ 0,980 por kWh, o custo da energia tende a representar um esforço maior para o consumidor piauiense.

Foto: Reprodução/InternetICMS
O Maranhão lidera o ICMS. O segundo é o Piauí

Tarifa não é conta final

É preciso separar duas coisas que costumam ser confundidas. A tarifa divulgada pela ANEEL não corresponde ao valor total da fatura. O ranking da agência apresenta tarifas homologadas sem incluir ICMS, PIS/Pasep, Cofins, iluminação pública e bandeiras tarifárias. Na prática, portanto, o valor que chega à casa do consumidor é resultado da soma de vários componentes.

A conta ainda pode aumentar

As bandeiras tarifárias também interferem no valor pago pelo consumidor. Quando as condições de geração ficam menos favoráveis, pode haver cobrança adicional por kWh. Em 2026, a ANEEL mantém esse mecanismo para repassar parte dos custos associados às condições de geração de energia. É mais um componente que ajuda a explicar por que a tarifa básica não conta toda a história da fatura.

Maranhão lidera ICMS geral

Na comparação das alíquotas internas gerais de ICMS, o Maranhão aparece com 23%, seguido pelo Piauí, com 22,5%, e pelo Rio de Janeiro, com 22%. É importante fazer uma distinção: esses percentuais representam as alíquotas gerais dos estados e não necessariamente o imposto efetivamente aplicado a toda conta residencial de energia. A legislação prevê tratamentos específicos para determinadas situações.

Dez maiores alíquotas

Considerando as alíquotas internas gerais, o Maranhão aparece com 23%; Piauí, com 22,5%; Rio de Janeiro, com 22%; Bahia e Pernambuco, com 20,5%; e Amazonas, Ceará, Distrito Federal, Paraíba e Rio Grande do Norte, com 20%. O ranking serve como referência da tributação estadual, mas não deve ser confundido com um ranking do ICMS efetivamente pago em cada conta de luz.

Piauí tem ICMS elevado

O Piauí aparece entre os estados com maior alíquota interna geral de ICMS, com 22,5%. O percentual ganha relevância quando colocado ao lado da renda da população. O Estado teve rendimento domiciliar per capita de R$ 1.546 em 2025, segundo o IBGE, enquanto a tarifa residencial de energia aparece em terceiro lugar no levantamento nacional de 2026. A combinação merece ser discutida com seriedade. Informações levantadas pelo jornalista e pesquisador Márcio Felipe.

Quem paga essa conta?

É uma pergunta simples, mas difícil de responder apenas com uma planilha: quem suporta, de fato, o peso dessa conta? No Piauí, a resposta está nas famílias que precisam conciliar uma renda média baixa com uma das maiores tarifas residenciais do país. Quando os tributos entram nessa composição, o problema deixa de ser apenas uma questão de mercado. Passa a envolver renda, consumo e justiça social.

Um absurdo a investigar

Os números colocam uma questão sobre a mesa: por que um dos estados de menor renda do Brasil está entre os que cobram uma das maiores tarifas residenciais de energia? No Piauí, R$ 1.546 de rendimento domiciliar per capita e R$ 0,980 por kWh formam uma relação que merece explicação. O imposto pode ser legal. A discussão sobre o peso que ele representa para o consumidor também é legítima.

Salário mínimo não fecha a conta

Quanto sobra para um trabalhador que recebe um salário mínimo depois de pagar apenas o básico? Em 2026, o salário mínimo é de R$ 1.621. Com o desconto de 7,5% do INSS, restam R$ 1.499,43. Em Teresina, a cesta básica custou R$ 702,27 em julho, segundo o Dieese, uma queda de 4,78% em relação a junho. Foram necessárias 46 horas e 8 minutos de trabalho para adquirir os produtos. Somando R$ 117,60 de energia para 120 kWh e cerca de R$ 84,29 de água e esgoto, já são R$ 904,16 comprometidos. Sobram R$ 595,27 para aluguel, transporte, gás, telefone, higiene, medicamentos e todas as demais despesas. E a conta de energia ainda pode ser maior, porque a tarifa de referência não inclui todos os componentes da fatura. É possível viver assim?

O básico leva 60% da renda

O cálculo continua revelador. Do salário líquido de R$ 1.499,43, a cesta básica de Teresina consome 46,84%. Energia e água, no exemplo utilizado, acrescentam outros R$ 201,89. Juntos, alimentação, energia e água chegam a R$ 904,16, ou 60,30% de toda a renda líquida. Restam R$ 595,27. Ainda faltam moradia, transporte, gás de cozinha, produtos de higiene, saúde, vestuário e qualquer imprevisto. Para quem vive com um salário mínimo, o mês começa com a maior parte da renda já comprometida.

Sociedade está desprotegida

É nesse ponto que a discussão deixa de ser apenas econômica. Quando o consumidor enfrenta tarifa elevada, tributação e baixa capacidade de pagamento, quem efetivamente o protege? O poder público precisa responder, mas as instituições responsáveis pela defesa dos direitos do cidadão também têm papel nessa discussão. A Justiça, que pode ser acionada para examinar eventuais abusos, não deveria permanecer indiferente diante de questões que atingem milhões de consumidores. O silêncio institucional também precisa ser questionado.

O governo precisa explicar

O consumidor não pode ser tratado apenas como pagador de uma conta. Precisa saber quanto custa a energia, quanto vai para impostos, quais encargos compõem a fatura e por que cada cobrança existe. No Piauí, essa cobrança é ainda mais necessária diante da baixa renda da população e do alto preço residencial da energia. Cabe ao governo explicar suas escolhas tributárias e à sociedade cobrar transparência sobre o dinheiro que sai todos os meses do orçamento das famílias.

O que um advogado entende de educação?

Nada contra os profissionais da advocacia. A questão é outra: qual experiência concreta em educação deve ter quem assume uma secretaria responsável por milhares de alunos, professores e profissionais? Como discutir IDEB, alfabetização, distorção idade-série, avaliação da aprendizagem, currículo e indicadores educacionais com alguém que nunca atuou diretamente na área?

Educação exige conhecimento

Administrar uma rede de ensino não é apenas administrar orçamento, contratos ou pessoal. É preciso conhecer a realidade da escola, compreender os indicadores educacionais e saber interpretar problemas que aparecem diariamente nas salas de aula. IDEB, fluxo escolar, evasão, alfabetização e distorção idade-série não são expressões burocráticas. São indicadores que revelam o que está acontecendo com a educação.

Técnica precisa ter espaço

A crítica vale também para outras áreas essenciais. Saúde, educação, planejamento urbano, assistência social e tantas outras políticas públicas possuem conhecimentos próprios. Um bom administrador pode aprender e coordenar equipes, mas isso não elimina a importância de quem conhece profundamente o setor que está sendo administrado. A Prefeitura precisa de gestores capazes de dialogar com os técnicos, compreender os diagnósticos e tomar decisões fundamentadas.

Sílvio precisa responder

O prefeito Sílvio Mendes tem experiência administrativa e legitimidade para montar sua equipe. Mas a escolha de secretários para áreas estratégicas também merece escrutínio público. Qual foi o critério utilizado? Formação? Experiência? Capacidade de gestão? Confiança política? Ou uma combinação desses fatores? A população tem o direito de conhecer os critérios que definem quem estará à frente de setores tão importantes.

Foto: Silvio Mendesreajuste de 5,35% para servidores
Prefeito Silvio Mendes: qual critério para a escolha de secretários?

A escola não é escritório

Educação não pode ser tratada apenas como uma estrutura administrativa. Uma Secretaria de Educação lida com crianças, adolescentes, professores, famílias, aprendizagem e futuro. Quando um indicador como o IDEB cai, não basta olhar uma planilha. É necessário compreender por que caiu, onde estão as dificuldades, quais escolas precisam de atenção e que medidas podem mudar o resultado.

A crítica é técnica

Defender gestores com experiência na área não significa dizer que apenas professores podem administrar a Educação ou que apenas médicos podem dirigir a Saúde. Gestão pública exige diferentes competências. O que precisa ser questionado é a escolha de pessoas sem experiência relevante no setor para comandar políticas altamente especializadas. Em áreas essenciais, conhecimento técnico não deveria ser um detalhe do currículo.

Condenado

O Superior Tribunal de Justiça (STJ) negou habeas corpus pedido pela defesa do ex-prefeito de São Braz do Piauí, Perivaldo Campos Braga, mais conhecido como Lapinh. Ele foi condenado por crime de responsabilidade.

Foto: ReproduçãoEx-prefeito de São Braz do Piauí, Pericaldo Campos Braga é condenado elo STJ
Ex-prefeito de São Braz do Piauí, Perivaldo Campos Braga é condenado pelo STJ

Com a decisão da ministra Maria Marluce Caldas, de 5 de agosto, fica mantida a execução da pena imposta após o Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF1) condená-lo por utilização indevida de bens públicos, prática conhecida juridicamente como peculato.

ORAÇÃO DO DIA!

Oi, Deus! O processo não tem sido fácil, mas eu sei que só vive o propósito quem passa pelo processo. Que o Senhor me dê forças para continuar, sabedoria para lidar com as adversidades e paciência para aceitar aquilo que não posso controlar. Amém! 🙏🏻

Versículo do dia:
“Ó Deus, tu nos puseste à prova. Como a prata é provada pelo fogo, assim nos provaste.”
(Salmos 66,10)Bom dia! A paz do senhor Jesus Cristo 🙌

Gustavo sem partido

Depois de cumprir o papel de atacar o candidato a governador Joel Rodrigues (PP), Gustavo Feijó, do Avante, segue brigando para reverter a decisão do seu partido de manter a aliança com o Novo para apoiar a candidatura de Eliseu Aguiar a governador.

O primeiro

Não se fala em outra coisa que não seja a consolidação de Ciro Nogueira como o primeiro e prioritário voto das lideranças ligadas à oposição e à base governista.

Foto: ReproduçãoCiro Nogueira
Ciro Nogueira, o primeiro e prioritário voto para o Senado

Já há quem diga que o governo jogou a toalha em relação a isso e vai deixar que seus dois candidatos — Marcelo Castro e Júlio César — se digladiem pelo que sobra.

Antônio José

O ex-vereador Antônio José Lira (Avante) vai participar dos debates para senador.

Preparem a pipoca, porque um debate com AJ Lira é sinônimo de diversão.

Foto: ReproduçãoJosé Antonio Lira
Antônio José Lira vai pros debates como candidato ao Senado

Novo mapa

Lei estadual de autoria do deputado Hélio Isaías (PT) altera os limites do município de Agricolândia com os municípios de Lagoinha do Piauí, São Pedro do Piauí e Miguel Leão.

Foto: Foto: reprodução internetHélio Isaías
Lei de Hélio Isaías altera limites de municípios

Datafolha

Vem aí uma pesquisa do Instituto Datafolha, que, a partir deste ano, será o fornecedor de sondagens eleitorais para a TV Clube, de Teresina.

Pará tem a luz mais cara

O Pará lidera o ranking das tarifas residenciais de energia elétrica em 2026, com R$ 1,035 por kWh. Tocantins aparece em segundo, com R$ 1,019, e o Piauí em terceiro, com R$ 0,980. Os dados ajudam a revelar uma diferença pouco percebida por quem olha apenas para a própria fatura: o preço da energia muda bastante de um estado para outro. O levantamento utiliza dados tarifários de 2026 da ANEEL.

Dez estados no topo

Pará, Tocantins, Piauí, Acre, Amapá, Rio de Janeiro, Mato Grosso do Sul, Bahia, Maranhão e Alagoas formam o grupo dos dez estados com as maiores tarifas residenciais no levantamento de 2026. Os valores vão de R$ 1,035 a R$ 0,876 por kWh. Para o consumidor, a diferença não fica restrita às estatísticas: ela aparece todos os meses na conta de luz.

Piauí paga uma conta pesada

O Piauí ocupa a terceira posição entre as maiores tarifas residenciais, com R$ 0,980 por kWh. O número ganha outra dimensão quando colocado ao lado da renda. Segundo o IBGE, o rendimento domiciliar per capita no Estado foi de R$ 1.546 em 2025, o segundo menor do país. É difícil ignorar a distância entre o que uma família ganha e o que precisa pagar por um serviço indispensável.

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