Brasil reduz pobreza, mas desigualdade de renda ainda avança

Relatório aponta melhora em 34 de 48 indicadores, mas destaca diferenças entre grupos e regiões

Por Redação Portal AZ,

O Brasil apresentou melhora em 34 dos 48 indicadores analisados pelo Observatório Brasileiro das Desigualdades 2026, mas ainda enfrenta o avanço de desigualdades de renda, gênero, raça e território. O levantamento mostra que os progressos no último ano ocorreram principalmente na renda, no mercado de trabalho, na redução da pobreza e no acesso a serviços básicos.

Foto: Rovena Rosa/Agência BrasilRelatório aponta avanços sociais no país, mas destaca persistência das desigualdades.
Relatório aponta avanços sociais no país, mas destaca persistência das desigualdades.

Dos indicadores avaliados, oito registraram piora e seis permaneceram estáveis. Entre os resultados negativos estão o aumento da diferença de remuneração entre homens e mulheres, a maior concentração de renda e condições sociais mais desfavoráveis para a população negra.

O estudo também aponta que os piores indicadores sociais estão cada vez mais concentrados nas regiões Norte e Nordeste. Para os responsáveis pelo relatório, os resultados mostram que mecanismos históricos de reprodução das desigualdades continuam presentes, mesmo diante da melhora de diversos indicadores.

Avanços em renda, saúde e educação

Entre os principais resultados positivos está a melhora da renda média e do mercado de trabalho, acompanhada pela redução da pobreza e por avanços na segurança alimentar e no acesso a serviços básicos.

Também houve melhora em indicadores de saúde, como a redução da desnutrição entre crianças e idosos. Na educação, o analfabetismo recuou. Já na segurança pública, caiu a taxa de homicídios entre jovens de 15 a 29 anos.

O relatório, porém, ressalta que a melhora dos números médios não significa que os avanços tenham sido distribuídos de forma uniforme entre a população.

Desigualdade permanece

O estudo aponta aumento da concentração de renda e uma estrutura tributária considerada menos progressiva, na qual a carga proporcional diminui conforme a renda aumenta.

A diferença salarial entre homens e mulheres também se ampliou. O levantamento identifica ainda uma piora das condições enfrentadas pela população negra e maior concentração dos indicadores sociais mais baixos no Norte e Nordeste.

Segundo a análise, esses resultados indicam que a redução da pobreza não foi suficiente para alterar desigualdades estruturais relacionadas a renda, gênero, raça e localização.

Quarta edição

Esta é a quarta edição do Relatório do Observatório Brasileiro das Desigualdades. A primeira publicação foi lançada em 2023, e a edição atual reúne dados referentes principalmente a 2025.

Alguns indicadores, porém, não são atualizados todos os anos. É o caso de dados derivados da Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF), que são divulgados a cada dois anos, e do Indicador de Analfabetismo Funcional (Inaf), cuja edição mais recente foi publicada em 2024.

Para Adriana Marcolino, diretora técnica do Pacto Nacional pelo Combate às Desigualdades, a defasagem de alguns dados não compromete a comparação, porque os indicadores são analisados em relação às séries disponíveis.

No prefácio, Betina Ferraz Barbosa, do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud) Brasil, afirma que os resultados mostram uma realidade mais complexa do que aquela revelada pelas médias nacionais. Segundo ela, houve avanços, mas eles ocorreram de maneira desigual entre diferentes grupos da população.

Fonte: Com informações da Agência Brasil

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