A direita brasileira caiu na cilada do "enviado por Deus"

Um "mito" sem base moral e ética.

Em 2022, a direita brasileira continuou optando pelo nome de Jair Bolsonaro ainda contaminada pela onda fascista de 2018 de que o ex-presidente seria uma espécie de "enviado por Deus" para continuar governando o Brasil.

Era, na verdade, um falso apelo à religiosidade brasileira. Bolsonaro jamais foi um "enviado por Deus" para governar coisa alguma.

Foto: Reprodução
Miguel Dias Pinheiro, Advogado

Vamos relembrar, então, a sempre abalizada e conceituada análise de Marco Antônio Campanella, para o qual o ex-presidente produziu, ao longo dos quase quatro anos, um verdadeiro "...desgoverno, quiçá, o período mais tormentoso desde a Revolução de 30 do século passado".

Na época, produziu-se o maior desemprego e, notadamente, o subemprego da história econômica e social do Brasil. O que dizer, segundo Campanella, da alienação criminosa do patrimônio público a grandes conglomerados econômicos, especialmente estrangeiros, em áreas estratégicas como petróleo, energia, comunicações, etc.

Bolsonaro abandonou todas as políticas públicas de educação, saúde, cultura, ciência e tecnologia, entre outros setores vitais à população brasileira, de modo especial em detrimento dos mais vulneráveis. Uma tragédia social mais que consolidada!

Lembram! Jair Messias Bolsonaro ficou conhecido no governo dele como "senhor das armas". Então, não há justificativa alguma para se conceber um falso "mito" como um "enviado por Deus". Se Deus é justo, bondoso e infalível, escolher o ex-presidente seria o mesmo que negar a máxima de que "Deus é brasileiro".

A direita brasileira, sem dúvida, caiu em uma cilada política porque se achou enfraquecida. Se não caiu, apostou no "caos" para tirar proveito e defenestrar Lula. E deu tudo errado! Para Campanella, não há - e nem haverá - lógica alguma continuar insistindo nessa ideia religiosa absurda, mesmo porque, hoje, o "mito" não passa de um "senhor das trevas" e não de um entre aspas "enviado por Deus".

A imagem pública de Bolsonaro como incorruptível e fora do sistema foi totalmente desconstruída. Aquela imagem anterior foi uma construção de marketing. Agora, desmentida por ações e investigações policiais e judiciais de toda natureza que depõem contra a direita..

Os variados analistas e cientistas políticos  convergem para um só fato: a percepção de que a realidade política e jurídica de Bolsonaro não corresponde e nunca correspondeu à imagem idealizada que ele e que seus seguidores tentaram construir.

Tudo agora contrasta com a imagem de líder ético e moral. Absolutamente, tudo! Um "mito" sem base moral e ética.

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