No início de 2026, avaliar erros do ex-presidente Jair Bolsonaro toma conta dos comentários de juristas, analistas e cientistas políticos.
Um dos grandes erros de Bolsonaro se inicia logo após o anúncio da pandemia, uma questão de saúde grave, universalmente! No auge do vírus da Covid 19 chegou-se a apontar os chamados 8 erros do ex-presidente:
1. Baixa testagem, isolamento de casos e quarentena de contatos;
2. Uso de uma abordagem clínica, e não populacional, para enfrentar a pandemia;
3. Desestímulo ao uso de máscaras;
4. Promoção de tratamentos ineficazes;
5. Atraso na compra de vacinas e desestímulo à vacinação;
6. Falta de liderança do Ministério da Saúde e inexistência de um comitê de especialistas;
7. Falta de uma política de comunicação unificada;
8. Indicar publicamente remédios sem evidência e eficiência para combater a doença.
Para não se estender sobre outros erros gravíssimos, na minha modesta opinião, o maior deles foi o ex-presidente foi "julgar-se acima das leis e do próprio Poder Judiciário" (aqui incluindo STF e TSE). Dizia ele que, por ter sido eleito pelo voto popular, não cumpriria mais decisões do outro poder que ele achava que o perseguia.
Atreveu-se não só ficar contra alguns ministros, com agressões e xingamentos, mas insurgiu-se contra as instituições STF e TSE. Modestamente, acho que aqui residiu o chamado "erro estratégico". Todos os erros de Bolsonaro contribuíram para a derrocada dele. Mas, aqui residiu o "erro fatal". Bolsonaro não foi orientado sobre a máxima de que "as pessoas passam e as instituições ficam".
Ao agredir ministros e o próprio Poder Judiciário, com ameaças veladas para extinguir o STF, Bolsonaro se colocava publicamente contra o Estado Democrático de Direito. E indicava tentar tornar-se um ditador.
Chegou a estimular uma "luta armada", uma espécie de "guerra civil" no Brasil, contrapondo-se ao Poder Judiciário que se impunha como guardião da Constituição.
A flexibilização do acesso a armas de fogo para a população (CACs - Caçadores, Atiradores e Colecionadores) foi vista por especialistas, ministros e ex-ministros como um risco à democracia. Um movimento deliberado para criar uma milícia armada para afrontar o STF e a sociedade civil organizada.
Em 2021, Bolsonaro deu início a discursos inflamados de que "só aceitaria resultados de eleições consideradas "limpas". E disparou: "O povo armado jamais será escravizado". Participou de manifestações que pediam intervenção militar, fechamento do Congresso e do Supremo Tribunal Federal (STF). E a volta do AI-5, época horrenda de prisões ilegais e assassinatos por militares.
De 2021 a 2022, juristas, analistas e cientistas políticos apontavam que as falas e ações de Bolsonaro, consistentemente, flertavam e incentivavam um cenário de ruptura institucional com grave potencial para uma convulsão social e um conflito civil armado.
Por fim, Bolsonaro estimulou o ódio para gerar violência política no Brasil, que na sua época atingiu nível irracional e inaceitável. Seus apoiadores ultrapassaram os limites de convivência em sociedade e partiram para agressões que culminaram até com assassinatos. E tudo foi visto pelo STF como uma ameaça grave ao Estado de Democrático de Direito. Uma posição firme teria que ser tomada contra o ex-presidente. E foi! Não precisa dizer mais nada!