“A prisão de um chefe de Estado exposto como troféu gera um precedente gravíssimo de desestabilização das relações internacionais e de respeito entre os países em não atacar diretamente suas lideranças representantes governamentais. Infelizmente, esse cenário poderá desencadear novas instabilidades na América Latina e no mundo”, diz Rodolfo Laterza, especialista em Geopolítica, Segurança e Conflitos.
O professor de Relações Internacionais da Universidade Federal do ABC, Igor Fuser, aponta: “Essa violência, o bombardeio, depois o sequestro do presidente Nicolás Maduro e da sua esposa, isso é um crime perante o direito internacional. Um país soberano que foi atacado militarmente sem que tivesse cometido nenhuma provocação, nenhuma agressão prévia, nada que desse ao presidente Trump o direito de cometer essa ação militar violenta contra a Venezuela”.
Na entrevista coletiva de Trump e seus secretários, apontou-se para uma provável invasão à Colômbia e a Cuba. Em publicação nas redes sociais, o secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, acusou o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, de chefiar uma organização narcoterrorista. No entanto, ele não mencionou provas da acusação.
Marco Rubio já chegou a dizer que Lula poderá receber sérias repreensões toda vez que abraçar um ditador, seja ele da Venezuela, de Cuba, da Nicarágua, da Rússia ou da China.
Em 13 de novembro do ano passado, Rubio escreveu na Rede X: "O brasileiro Lula da Silva é o mais recente líder de extrema-esquerda a tentar encobrir a natureza criminosa do narco-regime de Maduro, dias depois de se reunir com o presidente Joe Biden. Sob a fraca política externa do governo Biden, os tiranos da nossa região sentem-se encorajados a procurar apoio internacional".
Ainda que se possa admitir que o presidente Lula teve sucesso nas negociações do tarifaço e das sanções da Lei Magnitsky, o Brasil não poderá esquecer que o governo americano é dado a mentiras, a "fake news". Hoje, Trump é um e amanhã é outro. Um risco sério.
"Parece paradoxal, mas o presidente Lula da Silva do Brasil procura laços mais estreitos tanto com os Estados Unidos como com a China comunista. Por enquanto, isso significa que ele aceitará o que puder obter tanto dos EUA como do PCC (Partido Comunista Chinês) – desde que isso beneficie a sua agenda”, escreveu Rubio.
As palavras de Rubio são sérias. E demonstram como o governo americano avalia a postura do atual governo brasileiro. Apontando Lula como, possivelmente, ser equiparado a Maduro ao "bel prazer" americano, sem qualquer prova concreta.
Há tempos que especialistas internacionais - inclusive americanos - estudam a confiabilidade e a natureza dúbia de Donald Trump. E costumam afirmar, frequentemente, uma "retórica hiperbólica" do presidente americano, com declarações contraditórias e alegações falsas. Para eles, esse padrão de comunicação gera dúvidas sobre a credibilidade e confiabilidade de Trump.
Retórica hiperbólica é o uso intencional do exagero, criando impacto emocional para persuadir. É a técnica de Trump para distorcer a realidade, seja aumentando ou diminuindo um fato.
No Reddit, site americano, já se disse que "o mundo não leva mais Trump a Sério". E acrescenta em avaliação: "Ele é burro pra caramba, mentiroso, não tem nenhum princípio moral, é instável ao extremo e só age por impulso egoísta e pelo próprio ego. Qualquer coisa que ele prometa pode ser esquecida amanhã, e ele pode rasgar qualquer acordo sem avisar".
Que o Brasil se previna com a já comprovada instabilidade emocional de Trump. O presidente americano poderá esquecer qualquer compromisso firmado recentemente com o Brasil. E, inopinadamente, agir de forma forte e concreta contra a nossa soberania como fez na Venezuela, para, "a posteriori", ameaçar Colômbia e Cuba.
Cientistas políticos dizem que Trump adota o que eles chamam de "Teoria do Louco", na qual um líder mundial busca persuadir seu adversário de que é temperamentalmente capaz de qualquer coisa. Na teoria que imagina, o presidente americano também usa o "truque da mágica" para enganar adversários. Tudo fruto do próprio caráter dele, conhecido até entre familiares de que Trump tem uma má índole.
O Brasil deve, sim, levar a sério as ações caprichosas e traições de Trump. Como quando viola leis e afronta direitos humanos. Sinceramente, não descarto uma invasão ao Brasil para retirar Lula do poder. Máxime quando se aproxima cada vez mais as eleições de 2026, cujas pesquisas apontam para um quarto mandado do atual presidente brasileiro, que o fortalece e o projeta como um legítimo representante da esquerda mundial.