Turismo no Piauí pede socorro

Belezas naturais e cidades históricas seguem sem cuidado, enquanto faltam decisões práticas para transformar potencial em resultado

O Piauí não precisa provar que tem atrativos. Precisa mostrar que consegue cuidar deles. Essa é a linha que separa um destino que cresce de outro que permanece estagnado. É importante deixar claro: não se trata aqui de defesa partidária, nem de política rasteira ou de baixo nível, mas de cobrar do Governo do Estado do Piauí medidas que viabilizem tecnicamente o turismo.

Foto: Governo do Piauí

O estado reúne lugares que chamam atenção de pesquisadores e visitantes. O Parque Nacional da Serra da Capivara é referência internacional em arqueologia. O Delta do Parnaíba é um fenômeno natural raro. No litoral, Luís Correia apresenta margem clara para expansão turística. O problema não está no que o Piauí tem, mas no que deixa de fazer.

Em Oeiras, o cenário exige intervenção urgente, porém criteriosa. Não se trata de substituir calçamento histórico por soluções rápidas. Áreas tombadas exigem projeto técnico, com orientação do IPHAN. Recuperar é diferente de descaracterizar.

E recuperar é plenamente possível. Há técnica, método e exemplos concretos. Em São João del-Rei, no estado de Minas Gerais, a prefeitura realiza ações contínuas de recuperação de calçamentos, com tapa-buracos, reposição de paralelepípedos e correções estruturais. O trabalho inclui o Centro Histórico, com foco direto na segurança de pedestres e veículos, além de parcerias com serviços municipais para reparar danos, especialmente após períodos de chuva. Trata-se de manutenção permanente, não de ação pontual.

Por que isso ainda não acontece em Oeiras?

Hoje, o que se observa são vias irregulares, trechos perigosos e um problema que deixou de ser apenas urbano para se tornar uma questão de segurança. Motociclistas e ciclistas enfrentam riscos diários. Acidentes são frequentes, alguns com gravidade. Preservar patrimônio não é permitir a deterioração. É intervir com técnica para manter e adaptar ao uso atual.

A recuperação adequada resolve múltiplas questões: melhora a mobilidade, reduz acidentes, valoriza o espaço urbano e fortalece o turismo. Além disso, movimenta a economia local. Não é custo perdido, mas investimento com retorno.

O turismo não funciona de forma isolada. Depende de estrutura: acesso, conservação, serviços e promoção. No Piauí, esses elementos ainda não operam de forma integrada.

Outros destinos mostram que o avanço depende de decisão. Jericoacoara cresceu com organização e controle. Porto de Galinhas consolidou sua posição com planejamento e parceria entre setores. Não há diferença de potencial, mas de gestão.

Aqui, o debate se arrasta.

Como turismólogo, já apresentei ao Governo do Estado um projeto para estruturar o setor. Fizemos reuniões inclusive com a ex- Secretária de Cultura, em 2024. A proposta foi analisada por profissionais da área, considerada viável e discutida em reuniões técnicas. O próprio Marcelino, tio do governador, participou dessas discussões. Ainda assim, não houve avanço. Isso demonstra descaso.  Falta de interesse. Gestão sem compromisso. O que impede a execução de algo que já foi estudado?

Não se trata de política partidária. Trata-se de eficiência. O turismo gera emprego, ativa o comércio e preserva a memória quando bem conduzido.

Também é necessário apontar que a equipe responsável precisa reagir. Os chamados “Raphaboys” não podem manter postura passiva diante de soluções já conhecidas. Gestão pública exige ação.

O turismo no Piauí não está parado por falta de atrativo. Está parado por falta de uma gestão voltada para o setor. E, enquanto isso não muda, o estado segue com muito a oferecer — e pouco preparado para sustentar o que tem.

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