EUA prometem punir empresas que tentarem burlar novas tarifas de importação

Brasil é um dos mais afetados por sobretaxas; governo denuncia pressão na OMC.

O Departamento de Justiça dos Estados Unidos anunciou que vai indiciar criminalmente empresas ou pessoas que tentarem burlar as tarifas de importação que entram em vigor no país a partir de 1º de agosto. A medida faz parte de uma nova estratégia americana para reforçar o combate a fraudes comerciais e crimes corporativos.

Foto: ANDREW CABALLERO-REYNOLDS/AFP
Donald Trump

Segundo o governo norte-americano, uma nova unidade com "pessoal significativo" foi criada para investigar e punir práticas ilegais, como a subvalorização de mercadorias ou a falsificação do país de origem dos produtos importados.

“Importadores que fraudam para pagar menos impostos prejudicam a concorrência e desrespeitam a lei. Nesses casos, a resposta penal é apropriada”, afirmou Matthew Galeotti, chefe da divisão criminal do Departamento de Justiça.

A iniciativa acompanha o tom mais agressivo adotado pelo presidente Donald Trump, que voltou a prometer consequências severas a países e empresas que tentarem contornar as sobretaxas. O republicano afirmou que a tarifa mais alta, de 50%, será aplicada aos países com os quais os EUA têm relações tensas — caso do Brasil, segundo ele.

Enquanto isso, o Brasil tenta reverter o cenário. Uma comitiva de oito senadores embarca na próxima semana para os EUA com o objetivo de negociar a suspensão das tarifas, mas já enfrenta resistência. Em declaração publicada nas redes sociais, o deputado Eduardo Bolsonaro afirmou que a viagem está "fadada ao fracasso", caso não inclua exigências políticas como a anistia ao ex-presidente Jair Bolsonaro.

Diante do impasse, o Brasil levou a questão à Organização Mundial do Comércio (OMC), onde denunciou o que chamou de “chantagem tarifária”. O diplomata Philip Fox, do Itamaraty, criticou a imposição de tarifas como forma de pressionar governos estrangeiros e alertou para os riscos de estagnação econômica global. A posição brasileira recebeu apoio de 40 países, incluindo membros dos BRICs, da União Europeia e do Canadá.

Em paralelo, o presidente Lula falou por telefone com a presidente do México, Claudia Sheinbaum, para discutir a ampliação do acordo comercial entre os dois países. O vice-presidente Geraldo Alckmin liderará uma missão empresarial ao México em agosto para aprofundar as negociações.

Enquanto Trump negocia com a China e a União Europeia, países da América Latina como o Brasil e o México enfrentam sobretaxas de até 50%, num momento de tensão crescente nas relações comerciais com os Estados Unidos.

Leia também