UE defende restrições e reage à ameaça de reciprocidade do Brasil
Bloco afirma que regras sanitárias são iguais para produtores locais e estrangeiros
A União Europeia defendeu nesta sexta-feira (4) as restrições à entrada de produtos de origem animal do Brasil e afirmou que as medidas adotadas pelo bloco são proporcionais e não discriminatórias. A reação ocorre após o governo brasileiro indicar que poderá aplicar medidas de reciprocidade caso não haja uma solução para o impasse.
O porta-voz de Comércio da Comissão Europeia, Olof Gill, afirmou que as regras relacionadas ao uso de antimicrobianos na produção animal foram implementadas gradualmente. Segundo ele, as normas começaram a ser adotadas pela UE em 2018, passaram a valer para produtores europeus em 2022 e, desde quinta-feira (3), também alcançam produtos importados.
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UE diz ter dado prazo para adequação
Gill afirmou que países de fora do bloco foram comunicados sobre as mudanças ao longo dos últimos anos e participaram de reuniões técnicas promovidas pela União Europeia desde 2019.
A Comissão Europeia sustenta que as exigências são aplicadas da mesma forma a produtores europeus e estrangeiros que pretendam vender seus produtos no mercado do bloco.
A retomada das exportações brasileiras, segundo o porta-voz, dependerá da comprovação de que os produtos atendem aos requisitos sanitários europeus. Bruxelas afirmou que continuará negociando com as autoridades brasileiras para tentar resolver a questão.
Uma auditoria da União Europeia nas cadeias brasileiras de aves e mel ainda estava em andamento nesta sexta-feira. Segundo a porta-voz Anna-Kaisa Itkonen, o trabalho deveria ser concluído ao longo do dia.
Medidas separadas do acordo Mercosul-UE
A Comissão Europeia também procurou afastar uma relação direta entre as restrições sanitárias e o acordo comercial entre Mercosul e União Europeia.
Gill afirmou que os dois temas são tratados separadamente e destacou a importância econômica do acordo para as duas regiões. Segundo ele, enquanto as negociações comerciais buscam ampliar oportunidades de mercado, as exigências sanitárias seguem como uma prioridade relacionada à segurança alimentar.
Brasil ameaça reciprocidade
A posição europeia veio um dia depois de o governo brasileiro elevar o tom contra as restrições. Em nota conjunta, os ministérios da Agricultura e Pecuária e das Relações Exteriores disseram ter “profunda preocupação” com a decisão.
O governo afirmou que já adotou medidas para atender às exigências europeias e apresentou informações sobre as cadeias de aves, pescados, carne bovina, ovos e mel.
Brasília também afirmou que poderá recorrer a instrumentos de reciprocidade previstos na legislação brasileira se as negociações não produzirem uma solução considerada satisfatória em prazo adequado.
O governo brasileiro criticou ainda a falta de diálogo antes da decisão europeia e defendeu que a questão seja resolvida sem influência de interesses protecionistas.
Impacto nas exportações
A restrição afeta um mercado relevante para a pecuária brasileira. Dados do Agrostat, do Ministério da Agricultura, apontam que a União Europeia importou US$ 1,84 bilhão em produtos da pecuária brasileira em 2025, equivalentes a 368 mil toneladas.
O bloco foi o segundo principal destino das exportações do setor, atrás da China, e respondeu por cerca de 5,7% da receita brasileira com esses embarques.
As exportações de carne bovina somaram US$ 1,05 bilhão, enquanto as vendas de carne de frango alcançaram US$ 763 milhões.
O Brasil também foi o único dos quatro membros fundadores do Mercosul retirado da lista de países autorizados a exportar os produtos afetados. Argentina, Paraguai e Uruguai permaneceram habilitados após incorporarem anteriormente às suas normas as exigências europeias sobre antimicrobianos.
As regras da UE restringem a entrada de produtos provenientes de animais tratados com determinados antimicrobianos usados para estimular crescimento ou aumentar rendimento, além de medicamentos reservados ao tratamento de algumas infecções em seres humanos.
Fonte: SBT News