Preços globais de alimentos sobem ao maior nível desde 2022
Índice da FAO chegou a 133,3 pontos em agosto, com impacto de clima e conflitos
Os preços internacionais dos alimentos atingiram em agosto o maior nível em mais de três anos, segundo dados divulgados nesta sexta-feira (4) pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO). O índice da entidade alcançou 133,3 pontos, maior resultado desde novembro de 2022.
O indicador acompanha mensalmente a variação de preços de uma cesta de produtos alimentícios negociados no mercado internacional. Apesar da alta, o índice permanece quase 17% abaixo do recorde de 159,7 pontos, registrado em março de 2022, no início da guerra entre Rússia e Ucrânia.
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Clima pressiona produção
A deterioração das condições climáticas está entre os principais fatores que ajudam a explicar a alta. Na Europa, ondas de calor e períodos de seca prejudicam colheitas de milho e beterraba sacarina, além de afetarem a produção pecuária.
A possibilidade de um novo período de El Niño também aumenta as preocupações sobre a oferta. O fenômeno, caracterizado pelo aquecimento anormal das águas do Pacífico Equatorial, pode comprometer a produção de óleo de palma e açúcar em países asiáticos.
Para o economista-chefe da FAO, Maximo Torero, a alta indica o retorno de fatores de risco aos mercados de alimentos. Segundo ele, eventos climáticos, tensões geopolíticas e problemas na logística comercial estão restringindo as perspectivas de oferta.
Conflitos afetam comércio
As guerras também contribuem para pressionar os mercados agrícolas. A intensificação dos ataques no Mar Negro dificulta o transporte de grãos produzidos na região, afetando o fluxo de exportações.
Outro fator apontado é a redução do fluxo de fertilizantes em razão do conflito envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã. A menor disponibilidade desses insumos pode aumentar os custos de produção e afetar futuras safras.
Produção de cereais
Em relatório divulgado no mês passado, a FAO reduziu sua projeção para a produção mundial de cereais em 2026 para 2,980 bilhões de toneladas.
Se confirmado, o volume representará queda de aproximadamente 2% em relação a 2025 e será a maior retração anual desde 2018.
O cenário reforça a preocupação com a disponibilidade de alimentos nos mercados internacionais, especialmente diante da combinação de eventos climáticos adversos, conflitos e dificuldades no transporte e fornecimento de insumos.
Fonte: SBT News