Brasil fica isolado enquanto Trump fecha acordos tarifários com diversos países

EUA já firmaram acordos com Europa, Japão e outros; Brasil pode pagar tarifa de até 50%

Com a aproximação do chamado “tarifaço”, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, já fechou acordos tarifários com diversos países estratégicos, enquanto o Brasil ainda não conseguiu avançar nas negociações. A tarifa padrão americana, que poderá chegar a 50% sobre produtos de países sem acordo, deve entrar em vigor no próximo dia 1º de agosto. A União Europeia, Japão, Indonésia, Vietnã, Filipinas, Reino Unido e até a China já garantiram reduções significativas, evitando os impactos mais severos das medidas protecionistas adotadas pelo governo Trump.

Foto: AP
Donald Trump

Entre os acordos mais expressivos está o com a União Europeia, que garantiu a redução da tarifa de 30% para 15% após compromisso de investimentos bilionários em solo americano. O Japão, por sua vez, aceitou investir US$ 550 bilhões nos EUA e reduzir barreiras ao comércio agrícola e automotivo, conseguindo uma tarifa de 15%. A Indonésia também firmou um pacto abrangente que praticamente elimina barreiras à entrada de produtos americanos em seu mercado. Acordos semelhantes foram feitos com Vietnã, Filipinas e Reino Unido, cada um com suas especificidades e contrapartidas comerciais.

Além das negociações concluídas, os EUA ainda mantêm tratativas com países como Índia, Coreia do Sul, Argentina, Malásia, Taiwan e Bangladesh. Em todos os casos, a pressão por acordos bilaterais com foco nos interesses americanos vem impondo compromissos de investimento, abertura de mercado e até cooperação militar. A China, mesmo em meio a tensões, conseguiu uma trégua tarifária de 90 dias, com tarifas temporárias mais brandas. A mensagem do governo Trump é clara: países que não se alinharem economicamente podem ser duramente penalizados.

Enquanto isso, o Brasil corre contra o tempo. O vice-presidente Geraldo Alckmin, que lidera as negociações, afirmou que o país busca dobrar sua relação comercial com os EUA nos próximos anos e tenta ao menos adiar a implementação da nova tarifa. Empresários brasileiros temem retaliações e prejuízos econômicos caso não haja acordo. No entanto, as declarações recentes de Trump de que não abrirá novas rodadas de negociação antes de agosto indicam que o país pode, de fato, enfrentar a tarifa máxima, ficando em desvantagem em relação aos demais concorrentes internacionais.

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