O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central se reúne nesta terça-feira (29) para definir a nova taxa básica de juros, a Selic. A expectativa unânime no mercado é de que a taxa seja mantida em 15% ao ano, o maior nível desde 2006. A decisão marcaria o fim do ciclo de altas iniciado em setembro de 2024, quando a Selic estava em 11,25%.
Apesar do alívio em relação a novos aumentos, não há consenso entre economistas sobre quando o Banco Central começará a reduzir os juros. Parte dos analistas aposta no início de cortes em dezembro. Outros acreditam que isso só ocorrerá a partir de 2026, com alguns defendendo a manutenção da Selic em 15% até o fim do próximo ano.
Na última reunião, em junho, o Copom justificou o aumento alegando que a economia brasileira ainda mostra resiliência e que a inflação segue acima da meta. A ata destacou que os efeitos do aperto monetário demoram a aparecer, e que os juros precisarão continuar “significativamente contracionistas por um período prolongado”.
Para o mercado, o foco agora está no tom do comunicado que será divulgado após a reunião. A Warren Investimentos e o C6 Bank acreditam que o Copom manterá um discurso firme, sem dar sinais claros sobre cortes próximos, reforçando o compromisso com a estabilidade de preços e o controle fiscal.
A expectativa de cortes no curto prazo também é prejudicada por fatores externos, como o “tarifaço” de 50% imposto pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros, que entra em vigor nesta sexta-feira (1º). O impacto sobre a inflação e o comércio exterior deve ser monitorado de perto pelo Banco Central.
Com a Selic no nível atual, o crédito segue caro, o consumo desacelera e os investimentos ficam mais restritos — reflexos esperados em uma política de juros altos. Embora o governo federal pressione por uma redução, o BC tem sinalizado cautela diante das incertezas no cenário fiscal e internacional.
O resultado da reunião será divulgado nesta quarta-feira (30), com a nova Selic válida pelos próximos 45 dias.