EUA confirmam tarifaço, mas poupam suco, aviões e parte da indústria nacional

Lista exclui 694 itens da taxação de 50%, mas carne, café e pescado seguem afetados

O governo dos Estados Unidos confirmou nesta quarta-feira (30) a aplicação de uma tarifa de 50% sobre centenas de produtos brasileiros, com vigência a partir de 6 de agosto. Apesar da medida, considerada drástica, o decreto assinado por Donald Trump exclui da taxação itens estratégicos para a economia nacional, como aviões, suco de laranja, combustíveis, minérios, componentes industriais e derivados energéticos. O anúncio amenizou o impacto esperado inicialmente, mas ainda atinge setores importantes como carne, café e pescado.

Foto: ANDREW CABALLERO-REYNOLDS/AFP
Donald Trump

Segundo a Câmara Americana de Comércio para o Brasil (Amcham Brasil), os produtos poupados representam 43,4% das exportações brasileiras aos EUA em 2024 — o equivalente a US$ 18,4 bilhões. A entidade reconhece que as exceções reduzem os danos econômicos, mas alerta que o impacto será sentido de forma expressiva por áreas sensíveis da economia. As indústrias de carne e café, por exemplo, já manifestaram preocupação com a continuidade das vendas ao mercado americano, que figura entre os principais destinos desses produtos.

A Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec) e o Cecafé (Conselho dos Exportadores de Café do Brasil) afirmaram que estão em articulação com entidades norte-americanas para tentar reverter a decisão. A alíquota final sobre a carne poderá chegar a 76%, o que ameaça a competitividade brasileira. No caso do café, que teve 16,7% de sua produção destinada aos EUA em 2024, o risco é de aumento nos preços ao consumidor norte-americano e prejuízos para milhares de produtores nacionais.

A medida tem forte cunho político. O decreto alega que autoridades brasileiras, especialmente o ministro Alexandre de Moraes, estariam violando direitos humanos e perseguindo opositores do governo. Trump cita prisões, censura e bloqueio de contas de cidadãos americanos como justificativa para a declaração de “emergência nacional”. Especialistas apontam que as tarifas são também uma resposta geopolítica à crescente aproximação do Brasil com os Brics e alertam para um possível enfraquecimento das relações bilaterais.

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